Monday, March 11, 2019

Carmen visits Brazil after 14 years in the USA


Aracy de Almeida & Carmen Miranda meet at Viracopos Airport in Campinas-SP in the first hours of 3rd December 1954, a Friday; Carmen had just flown in from Dallas, Texas, after a whopping 24-hour flight. Carmen ominously wore a stunning red suit (tailleur) in which she would be buried with 8 months later, 13 August 1955
Carmen holds Aracy de Almeida's face as if she treasured something dear from happier times while Almirante looks on and Paulo Machado de Carvalho holds her gently...

In a period less than one year - 9 months actually - the tragedy which became Carmen Miranda's life was reported almost daily in most Brazilian newspapers. Aurora Miranda decided to travel to California to try and bring her sister to Brazil to save her from a great depression that had set in and the US doctors didn't know how to deal with.

Here are some newspaper articles clipped from Rio de Janeiro's 'Correio da Manhã' from December 1954 through to August 1955, when Carmen Miranda dies in Hollywood - 5 August 1955 - and her body is flown down to Rio and is buried on 13 August 1955.

4 December 1954 - Saturday - Correio da Manhã's headlines was a total misconception of the drama Carmen Miranda was living.

Nota Bene: I have transcribed this 'Correio da Manhã' article but made a point of correcting some mistakes concerning proper names. I would also like to point out the wrong notion the whole article gives out about Carmen's health. The title of the article couldn't be farther from the truth:  'Carmen Miranda chegou bem disposta, alegre, vendendo saúde...' (Carmen arrived well disposed, happy and in excellent health).

The real truth was that Carmen had been in poor health for most of 1954. The reason why Carmen flew down to Brazil was that her sister Aurora thought it would be good for her health to be away from the USA and its 'grinding machine'. Aurora was right all along. She knew Carmen had to leave the 'American way of life' immediately or perish. Carmen wouldn't hear of it. Carmen thought she couldn't live without the US... and in the end Carmen paid the ultimate price: her life was cut short less than a few weeks after she returned to the USA.

It is common knowledge now that Carmen was in an almost vegetative state before she flew down to Rio. Before stepping out of the Braniff flight at Viracopos International Airport, in Campinas-SP, a few hours before... a Brazilian doctor went up the airplane gave Carmen a few shots of a strong stimulant for her to be able to 'function' for a hew hours. Apparently, Carmen was 'alright' but she was only artificially propped up by powerful drugs administered by the such a doctor. Carmen played a 'game of appearences' that convinced the Brazilian Press so well... but the real story was different and much sadder.

Eram exatamente 20:40 horas de 3 Dezembro 1954, sexta-feira, quando o avião que trazia Carmen Miranda, parou as hélices, no Aeroporto do Galeão

10 minutos para regularizar os papéis.

Subiram à bordo funcionários da Alfândega e outros servidores do Galeão. Subiu também o sr Herbert Moses, além de seu cunhado Gabriel Richaid, marido de Aurora Miranda. Lá dentro, estavam, sorridentes e felizes d. Maria Emília, mãe de Carmen e Aurora, que viajaram juntas desde Los Angeles, California. Passados 10 minutos, Carmen aparece, mesmo, para o público. Deu algumas demonstrações de alegria. Beijos para os amigos. Pronunciou alguns nomes. E, satisfeita, começou a vagarosa descida que a colocaria em contato com a terra de sua Cidade Maravilhosa.
 
No quarto degrau, Carmen parou uns bons minutos. Atendia a todos os pedidos dos fotógrafos. Russo do Pandeiro (Antônio Cardoso Martins), aproveitando a 'onda', furou todo mundo e foi direto à sua boa amiga. Espichou o corpo e gritou pelo nome de Carmen, que sorriu amplamente. E o Russo do Pandeiro, que tocou com ela nos Estados Unidos, deu um bom beijo na face direita da cantora.
 
Pertinho de Russo, estava o grande humorista Barbosa Júnior, que gravou vários sucessos em dupla com ela, destacando-se 'Casaquinho de tricot' (Paulo Barbosa, 1935), 'Quem é?' (Custódio Mesquita-Joracy Camargo, 1937), 'Pensão da dona Estela' (Paulo Barbosa-Oswaldo Santiago, 1938), 'Que baixo' (de Milton Amaral, 1939), 'Ginga ginga' (Juracy de Araújo-Gomes Filho, 1941).  A 'bombshell' soltou um prolongado 'Oh!'... de admiração, ou talvez de espanto, pois Barbosa Júnior, que ela não via há pelo menos 15 anos, está mais grisalho e mais velho. 

BOM ASPECTO 

O aspecto físico ótimo. Não demonstrava nenhum abatimento, nem, muito menos sinais de cansaço, e isso após uma viagem de mais de 24 horas consecutivas. Forte, dinâmica, andando normalmente, trajando um lindo costume avermelhado, com uma fita escura nos cabelos, pulseira, brincos, sapatos de camurça azul. 

3rd December 1954 - Friday - 5 December 1954 - Sunday
2nd December 1954 - NBC news script from WBAP-TV, Fort Worth, Texas kept by University of North Texas tells of Carmen Miranda's stop-over in Dallas, Texas on her way to Brazil. Carmen was accompanied by her Mother & sister Aurora. She had a chance to talk to the press and be 'cheeky' as was her usually was.
10 December 1954 - Saturday -
18 December 1954 - Sunday -

This is Carmen Miranda's first interview with a Brazilian journalist, Darwin Brandão from illustrated magazine Manchete. Carmen had flown down to Brazil on 2nd December 1954, having arrived in São Paulo and Rio de Janeiro on the 3rd December, a Friday. Even though Carmen's health was precariously weak, after two weeks of rest under supervision of a Brazilian doctor, Carmen felt much better and was itching to go back to Hell, that is, Beverly Hills, California. 

She tells Darwin she was is supposed to go back to the US in 3 weeks. She was sorry but she wouldn't stay for Rio's famous Carnaval. She promised she'd be back at the end of 1955. The Brazilian doctor must have persuaded her to stay in Brazil for a few more months which she agreed to. Her sisters must have weighed in to make her change her mind. 

Carmen couldn't see she had been given a second chance to live but she didn't take it. Carmen finally flew back to California in June 1955. Two months later Carmen was dead. She died of a heart attack on 5 August 1955. Her body in a coffin was flown back to Brazil two weeks later. 

Nossa Carmen está bem. O abalo nervoso, do qual se restabelece, não conseguiu modificar o ânimo da Pequena Notável. Está alegre e tranqüila. No amplo apartamento que ocupa, no 7o. andar do anexo do Copacabana Palace, cercada de amigos, Carmen, às vezes dá risadas gostosas, principalmente quando ouve histórias de seus amigos brasileiros nos USA: Zé Carioca (musician José do Patrocínio Oliveira), Aloysio de Oliveira e Vadico. Ela rí quando lhe recordam as 'gaffes' de algum deles, com a dificuldade do idioma e os casos criados com pronúncia errada. O jornalista Gilberto Souto também colabora com suas histórias. Vem agora o caso de alguns aviadores brasileiros que, visitando a California, e estando num hotel, resolveram pedir o jantar. Um dêles, o que dizia falar melhor o inglês, foi ao telefone e fez o pedido: perú (turkey) e sopa (soup).  Meia hora depois a telefonista avisava que estava completando a ligação para a Turquia e alguém trazia uma barra de sabão (soap). 
 
Carmen não se lembra de ter cometido gaffes nos USA, embora tenha saído do Brasil sem saber nada da língua de Shakespeare. - "Só sabia dizer, 'boy' e 'goodbye', assim mesmo porque tinha gravado 'Goodbye, boy, deixa a mania do inglês...'de Assis Valente. Mesmo assim fui p'ros Estados Unidos. Levei um ano para aprender a língua. É que no início, não tinha muito interesse. Achava eu eu não tinha jeito para línguas. Sofri muito. Meus primeiros filmes em Hollywood, eu os fiz decorando o 'script' sem saber o que eu estava dizendo". 

Meu grande sucesso continua sendo 'Mamãe, eu quero'. Show sem 'Mamãe, eu quero' é espetáculo incompleto. Fora isso, tenho que incluir, obrigatóriamente, em meu repertório, 'Tico tico no fubá', 'Delicado' e 'Chiquita Bacana'. A platéia america, e mesmo a européia não gosta de música brasileira lenta. E não adianta insistir. Sei que há muitos sambas bonitos, sei quase todos de cor, mas não posso cantá-los em público pois eles não gostam. Querem é movimentopuladinho. Num dos filmes que fiz em Hollywood, insisti com o diretor para que colocasse entre os numeros musicais o 'No tabuleiro da baiana', que seria cantado por mim e Cesar Romero. Chegamos mesmo a ensaiar. Mas na hora, o diretor se negou terminantemente a encaixar no filme a música que eu tanto gosto. Não adiantou pedir. A explicação me convenceu: "Carmen, você aqui tem que fazer música que agrade aos brasileiros, americanos e europeus. Se você agradasse apenas aos brasileiros, não estaria mais aqui". 

- 'E o que você acha dos sambas atuais (1955) ?'

Carmen, a princípio, não queria falar sobre o assunto. Com minha insistência, sua opinião foi curta.  - 'Acho alguns bonitos, letras lindas. Mas estão muito abolerados (sambas-canções), não há dúvida'. 

Carmen ainda não saiu do Hotel. Veio do aeroporto direto para seu quarto. Rodeada de amigos e alguns parentes. O que está fazendo a cura de seu distúrbio nervoso, são principalmente as conversas que lhe fazem bem. A moça deixou de fumar. E explica: 

- 'Faz 6 meses que não ponho um cigarro na boca. Foi o primeiro conselho de meu médico, quando comecei a sentir os primeiros sintomas de esgotamento nervoso. Eu fumava desbragadamente. Nunca menos de 3 maços, diáriamente. A maior satisfação de minha vida, a coisa que me deixava mais alegre, era chegar em casa à noite, deitar-me, colocar um cinzeiro do lado da cama, pegar um monte de revistas e fumar. Era assim que adormecia. Aí o médico resolveu dar o 'teco'. Deixou-me fumar duas baforadas por dia, depois das 6:00 da tarde. Eu acordava e ficava contando as horas: três, quatro, cinco. Os olhos não se despregavam do relógio. Era um suplício. Às 6 horas, nem um minuto mais, corria, pegava o cigarro, dava duas profundíssimas tragadas. Aí tinha que esquecer de novo o fumo. Agora o cigarro já não me faz falta. 

Carmen quer falar de sua doença:

- 'Tive um sério abalo nervoso, provocado pelo excesso de trabalho. Trabalhei demais durante 15 anos. Sem parar, todos os dias, entrando pela madrugada, em várias cidades e vários países. Tinha um nome a zelar, um 'cartaz' para manter. Você já imaginou o que é a angústia de ter que enfrentar uma platéia que você não conhece, enfrentar leões. Todos os dias. O que eu acho que me prejudicou mais foi isso exatamente: a preocupação de agradar sempre, de deixar o público sempre satisfeito, a preocupação do show do dia seguinte. Trabalhei demais. Lembro-me de que, em Londres, trabalhei noites e dias sem parar. E aos domingos, como se não bastasse o meu trabalho durante toda a semana na Capital, ainda fazia shows nos arredores, aproveitando o 'week-end'.   

Há 2 anos (1952), comecei a sentir os primeiros distúrbios nervosos. Suava muito e as mãos ficavam dormentes. Procurei um médico, que me recomendou abandonar o trabalho noturno. Eu precisaria ficar 6 meses em repouso absoluto. Os compromissos assumidos, no entanto, me impediam de parar. O esgotamento foi piorando. Afinal, não pude mais. Parei de estalo. Resolvi, então vir aqui p'ro Rio de Janeiro, abandonar a California por uma temporada e esquecer tudo. Mas preciso voltar logo. Creio que dentro de 3 semanas estarei novamente em minha casa em Beverly Hills, que eu larguei sem mais nem menos.

E o Carnaval de 1955, Carmen, você não vai passar conosco?
 
Não. Não vou ver, inclusive a cidade que eu tanto gosto. Dêste apartamento irei direto para o aeroporto. Mas pode dizer que, em fins de 1955, estarei de volta. Aí, sim: vou tomar contato novamente com o Rio, com minha gente e brincarei um bom carnaval. Antes disso, impossível. 

Pergunto a Carmen quando ela virá, definitivamente, para o Brasil.

- 'Ah, não sei'. 

Alguém na roda lembra que os jornais noticiaram que Carmen tinha planos de comprar terras no Paraná e em Goiás, como milionária. 

- 'Nada disso'. 

- 'Você está suficientemente rica para descansar o resto da vida', adianto.

- 'Mais ou menos', diz Carmen, rindo.
 
Depois das 6:30, Carmen começa a receber os amigos. É a partir dessa hora que ela se sente melhor, informa. Em seu apartamento no Copacabana Palace tem aparecido velhos amigos: Lamartine Babo, Ary Barroso, Josué de Barros. Ela achou Lamartine gordíssimo e cantarola alguns sucessos famosos do compositor. Mas de quem ela mais gosta é de Joaquim Rolla. É para ele que tem as palavras de maior carinho. 
 
Joaquim Rolla (1899–1972) foi um influente empresário brasileiro, conhecido como "Rei da Roleta" por dominar o mercado de cassinos no Brasil entre as décadas de 1930 e 1940.

- 'Sempre nos demos muito bem. É uma boa e velha amizade. Trabalhei com ele muito tempo e nunca houve contrato. O Rolla fazia acertos verbais comigo: tantos meses de trabalho, ganhando tanto. Eu trabalhava, recebia. Nunca tivemos um atrito. Um grande amigo. 

Começam de novo as reminiscências. Faz 15 anos que Carmen não vê o Rio. Por que todo êsse tempo? 

- 'Você já viveu muitos anos fora de seu país? Então não sabe o que é pensar na volta. É doloroso. No meu caso foi assim. Muitas vêzes pensei em dar um pulinho até aqui. Mas algumas dúvidas me dominavam. Como estará tudo aquilo, os amigos, as coisas? Como me receberão? Diziam até que eu falava o português com sotaque de americano. E o tempo foi passando. Depois, você sabe, quase tôda minha família estava lá. Eis a razão principal porque eu não voltei há mais tempo: o mêdo da volta


Aurora, Carmen and Cecília Miranda at home, in Rio, in December 1954.
Carmen talks to Manchete's journalist Darwin Brandão & is photographed by Orlando Machado in December 1954

'Manchete', 25 December 1954
Carlos Machado (Rei da Noite) at Carmen's press conference; Aurora has a lot of fun...
Carmen Miranda talks to 'Correio da Manhã' alongside a pool of other newspapers and magazines as previously arranged. Carmen answered questions galore for about an hour stating she is not divorcing Dave Sebastian, who remained back in Beverly Hills, California. Asked what she thought of Marilyn Monroe, Carmen said she thought her 'sensational'; Carmen adds she would go back to the USA in three weeks, which turned out not to be true.  
23rd December 1954, Thursday. 
'Correio da Manhã', 23rd December 1954, Thursday.

Carmen Miranda falou, finalmente, à imprensa. Entrevista, há muito prometida, e esperada pelos seus numerosos fãs brasileiros, constituiu um espetáculo. Rica em piadas. Com muitas perguntas carregadas de malícia. E, também, com muitas respostas à Carmen, isto é: brejeiras, bem a gôsto da nossa gente. E foi por isso que o encontro da famosa artista com os repórteres, ontem à noite, na ABI (Associação Brasileira de Imprensa), serviu para que Carmen pusesse à mostra sua alma e falasse como falaria há 15 anos passados, quando era, apenas, a 'Pequena Notável' e não uma artista de fama internacional. 

CHEGOU SORRINDO 

Eram exatamente 20:45 quando Carmen chegou ao 7o andar da ABI, onde a aguardavam inúmeros fotógrafos, repórteres e radialistas. Durante uns 10 minutos 'não entrou na pista', como diria ela mesma no correr da entrevista. Atendia às solicitações dos fotógrafos. Distribuia beijinhos. Dava olhares e fazia gestos que alguns pensavam fôssem caretas. Mas eram simplesmente gestos. Chegou sorrindo e sorrindo ficou o tempo todo.
 
Começaram as perguntas. Um repórter quer saber  qual o seu primeiro sucesso nos Estados Unidos.

- 'Foi num show na Broadway. Depois o filme 'Uma noite no Rio' (That night in Rio). 

- 'E as músicas brasileiras mais conhecidas lá?'

- 'Mamãe, eu quero' (Jararaca & Vicente Paiva), 'Aquarela do Brasil' (Ary Barroso) e 'Tico tico no fubá' (Zequinha de Abreu).

Nesse interim estoura uma lâmpada de máquina fotográfica. Carmen não ficou muito espantada. Mas quando um cinegrafista focou suas lâmpadas no rosto no rosto da artista, Carmen perguntou:
 
- 'Para quê tanta luz? Parece cinema'.

Surge, então uma pergunta que estava na ponta da língua de todos os repórteres:

- 'Por quê você veio sem o seu marido?

- 'Ele ficou trabalhando. Sòmente por esse motivo é que não veio. Talvez venha ao Brasil comigo em junho de 1955, quando então pretendo passar uns 6 meses aqui'. 

- 'E seu regresso aos Estados Unidos?'

- 'Dentro de 2 ou 3 semanas. Depende do meu estado físico. Tenho compromissos a cumprir'.
Interpelada sôbre se iria gravar agora no Brasil , respondeu negativamente. 

O repórter do 'Correio da Manhã' queria saber porque ela ficou 15 anos nos Estados Unidos, sem vir ao Rio. 

- 'Por causa dos contratos. Nada mais me prendia nos Estados Unidos. Lá, os contratos são cumpridos com todo o rigor. Quando, porém, fiquei com muitas saudades do Brasil, resolvi embarcar logo. Minha viagem foi marcada com 2 dias de antecedência. Peguei o avião e vim para minha terra. Tudo de improviso'. 

- E seu estado de saúde?

- 'Continuo tremendo. Neurastênica. Assim mesmo como aquêle 'fox' do Betinho. Quando a tremedeira ataca, não há jeito. Tenho mesmo que tremer e mais nada. É muito difícil de deixar de tremer'.

- É verdade que em 1946 foi você a artista que pagou a maior soma de impôsto sôbre a renda nos Estados Unidos?

- 'Sim, é verdade'. 

UM POUQUINHO DE GÍRIA 

Carmen Miranda puxa um pouquinho da nossa gíria. Diz que está nervosa porque a sua vida é um 'bafafá'. Agora é um 'chuá'. Não pretende, disse, montar negócios nos Estados Unidos, como se propalou. Porque 'tudo é no pendura' e depois as coisas terminam melancólicamente. Informa, ainda, que o baião não é conhecido nos Estados Unidos, Já se recusou participar de muitos filmes estilo mexicano e cubano. Não estava muito a par do nosso movimento radiofônico. Tem ouvido falar bem de Angela Maria. É fã de Aracy de Almeida, sua velha amiga. Admira Almirante, Linda e Dyrcinha Baptista. E acentua:

- 'Aqueles jeitinhos da Marlene são extraordinários. Sou uma grande fã dessa sambista. Ela é formidável'.
 
Falando, depois, sobre sua reação ao receber a notícia da morte de Francisco Alves, revelou que estava em Buffalo, NY, a duas horas de New York City, quando soube. Das 2:00 horas da madrugada até as 11:00 da manhã ficou acordada para redigir a mensagem que foi sua ultima homenagem ao grande sambista. 

FEIJOADA SEM CACHAÇA

Interrogada se sua casa é uma segunda Embaixada do Brasil, confirmou:

- 'Lá as portas estão sempre abertas para os brasileiros. Qualquer um pode chegar, bater e entrar. Há uns 5 meses recebi uns 100 brasileiros que viajavam no 'Almirante Saldanha'. Comemos uma feijoada bem à nossa moda. 

- 'Tinha cachaça?'

- 'Sem cachaça, redarguiu' Carmen. 

MARILYN, a maior

- E que pensa você de Marilyn Monroe?

- 'Ela é de fechar o comércio. Bonita e muito boa. É a maior. Boa até demais.'

MM's 'River of no return' (O rio das almas perdidas', era exibido no Rio no dia da entrevista de Carmen ao 'Correio da Manhã', 23rd December 1954.

- E Martha Rocha?
 
- 'Também é muito bonita'. 

- E que tal o Marlon Brando?

- 'É outro sujeito espetacular. Uma coisa louca'. 

HÁ 2 ANOS NÃO VAI A CINEMA

Carmen Miranda informou aos jornalistas que há 2 anos não vai a cinema. Assiste bons filmes pelo seu aparelho de televisão. E declarou, a propósito de televisão: 

- '5.000 cinemas já se fecharam nos Estados Unidos. Há até TV em côres. Fui a primeira artista a fazer o teste da televisão colorida'. 

Fêz elogios ao cinema italiano, mas considera o norte-americano mais bonito, mais impressionante. Dos filmes italianos gostou muito de 'Arroz amargo'. 

Blagues e outras coisas

Misturam-se gracejos e coisas sérias. Carmen é interrogada sobre o suicídio do sr Getúlio Vargas

- 'Senti, como todos os brasileiros. Mas não sou 'de política' e gostaria de não tocar nesse assunto. 

Usa mais de algumas gírias. Durante a guerra 'táva lá firme', acentuou. Visitou 75 hospitais de vítimas. E atendendo a um repórter:

- 'Não vim 'dar duro' aqui. Quero apenas descansar. O negócio é apenas êste. Não estou me fazendo de 'gostosa'. 

- E como se sente com essa fama internacional? indagou um jornalista.

- 'O negócio é bom, sim. Basta entrar com o pé direito. Experimente. Entre na pista e vá p'ra frente'. 

Outro jornalista quer saber se ela aceitaria um convite para o Festival de Punta del Este, no Uruguay.

- 'Não, porque tenho muitos compromissos. Se pudesse, iria, sim, pois ficaria 'saracoteando' por aqui e isso é muito bom'.

Já no final da entrevista, muito embora dissesse que continuaria à disposição dos repórteres, Carmen desmentiu que tivesse se divorciando do marido

- 'Nada disso. Tudo por lá vai direitinho. Nada de anormal entre nós'. 

Era o fim da entrevista que começara as 20:45 e fôra até 21:30. E Carmen despediu-se de todos desejando Boas Festas e Feliz 1955 para os seus fãs. 

Carmen at her Rio press conference on 22nd December 1954. 
At her press conference at ABI, on 22nd December 1954. 
Herminio Belo, Angela Maria, Carmen...
Angela Maria, Carmen & Almirante, at PRA-9, in 1955
same day with old friend Assis Valente... 
wistful look, 1955 in Rio.  
Revista do Rádio's Photo of the Week: Carmen embraces Ary Barroso and Sylvio Caldas during a function in a Rio night-club in early 1955. She'd be dead before year's end.
Carmen trying to have as much fun as she could at a Copacabana Palace ball at 1955 Carnaval.
Lucio Rangel writes about Carmen's visit to Rio de Janeiro; Manchete, 25 Manchete 1954
26 June 1955 - Correio da Manhã' s journalist Marcos André sends news from Las Vegas, USA, where Carmen Miranda finally opened in a night-club after having suffered a period of bad health which lasted at least 8 months. Carmen went back to her old routine but she was actually living on borrowed time. Carmen would die of a massive heart attack 6 weeks later, on 5 August 1955
on 13 August 1955, Carmen Miranda was back in Rio for good. Her body was dressed in the same red suit she had worn on 3rd December 1954, when she arrived back in Brazil after a 15 year hiatus. 


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