Sunday, June 11, 2017

'O Malho' weekly magazine

'O Malho' was a Brazilian weekly magazine started up in 1902. By 1930 it was probably the best weekly in the country. Here are some examples of various 1930s covers. Thanks to João Antonio Buhrer for supplying the beautiful images. 

24 September 1936; 11 January 1934.
8 March 1934; a short story by Antonio Carlos Callado; illustrations by Jorge Bastos.
15 March 1934; 29 March 1934. 
7 March 1935; 21 March 1935.
16 January 1936; 13 February 1936.
27 February 1936; 12 March 1936.
19 March 1936; 16 April 1936.
13 August 1936; 24 September 1936. 
1st October 1936; 15 October 1936.
18 February 1937; 23 March 1937.

Wednesday, June 7, 2017

Carmen Miranda at 'O Malho' - 5 April 1934

Weekly magazine 'O Malho' journalist Francisco Galvão visits singer Carmen Miranda at her home next to Santa Thereza, in Rio de Janeiro. He talks to her about her recent travels to Pernambuco, Bahia, Argentina and her incursions into the slums of Rio de Janeiro to listen to what some in the upper classes would call 'Negroid music'. 

Carmen is open about everything including her recent visit to Morro do Salgueiro to listen to Black men like Boruca and Gargalhada sing their latest samba songs. Mr. Galvão asks Carmen whether she wasn't afraid to go up to shanty towns. She retorts saying those maligned people are humble and hard working people who congregate on Saturdays to sing & make up rhyme... just like the birds'. 


pequena que realizou o milagre que HitlerMussolini Roosevelt se esforçam por conseguir: ser popular exercendo uma dictadura – a dictadura do samba.


O cartaz na intimidade: Carmen
por Francisco Galvão para 'O Malho' 5 April 1934.


Carmen Miranda! A cidade acclama o seu nome, dos subúrbios mais distantes aos bairros mais nobres. Em toda a parte. Quando canta, no radio, os ‘escuchas’, não querem outra vida, só rodam o número da estação, quando ella sahe do microphone.   

Eu creio mesmo que há um passaro escondido na sua garganta. Porque, elástica, cheia de nervos, com aquella garganta maravilhosa, a rainha dos sambas, ‘abafa a banca’ se se faz ouvir em qualquer coisa de seu repertorio: seja no ‘Tão grande... e tão bobo’, como no ‘Sahe poeira do chão’.

Entrevistal-a, muita gente tem feito. Há phrases inteiras que ella jámais proferiu. Mas ninguém pegou ainda de geito, a alma de Carmen, que é uma creança grande, segurou a sua sensibilidade, estranhamente perturbadora, para mostrar ao publico. Seria preciso conviver um pouco naquella casa magnifica, bem perto de Santa Thereza, onde ella vive com sua família, rodeada de arvores, entre gansos e pássaros, para se comprehender, a rigor,  a alma da artista que afinal chegou a ser um ídolo do publico.

Ao subir a ladeira enorme, que me levaria, pela primeira vez, ‘chez’ Carmen Miranda, imaginei, para logo, conseguir da artista alguma coisa de emotivo e de novo.

No jardim, estendida preguiçosamente numa rêde de tucum, a artista embalava-se, quando chegamos, acariciando a cabeça de um cão negro que trazia meiguices profundas nos olhos dormentes.

Era verão. As folhas boliam com indolência, e a gente respirava um ar puro no seu studio, onde bonecas japonezas sorriam e Budhas authenticos, gordíssimos, sonhavam nos ‘étagères’.

Moveis  modernos e raros, encommendados ao capricho esthetico da dictadora do Samba. Aurora Miranda, convalescente, ali estava com aquelles seus olhos parados, como dois igapós amazônicos.

- Carmen, conte-me a sua impressão de viagem.

- Consegui-a, viajando para o Norte, conhecendo o Brasil das jangadas, dos feitiços, dos reisados, das mandingas, dos paes de santos. Acredita que eu trouxe de Pernambuco uma impressão duradoura, eterna. Cidade linda, com aquella praia bonita da Boa Viagem, que copia acintosamente Copacabana; as pontes metallicas, onde a gente passa e vê os saveiros, com os mastaréus, molhados, tantos com o perfume das vagas.  

O Brum, Casa Amarella, Olinda com aquelle cheiro do passado, com os sinos batendo emotivos.

Você não pode imaginar como eu gostei do Recife!

-  E da Bahia?

- Ah, meu caro, a Bahia do Senhor do Bomfim, é um encanto. Gente boa, como a de Pernambuco. Olhe, eu continuo a pensar que o Brasil, o Brasil mesmo, esse Brasil que arranca, nas caatingas, em cima de um potro bravo e se perde no infinito, nas vaquejadas; e se joga, às cégas, sem bussola, guiando-se pellas marés e pellas estrellas, numa jangada, enraivecendo o mar, está ali bem fixo. 


- Gosta assim de viajar?

- Penso como João do Rio, a viagem é o único prazer que os deuses deixaram, por esquecimento, na terra. A gente viajando, no deck de um transatlântico, vendo cidades novas, olhando o mar longínquo, não muda apenas, de clima, muda também de alma.

Porque, longe do borburinho das metrópoles, em cima de um tombadilho, a alma da gente como se sente mais socegada, muito mais humana, muito mais doce.

- Qual foi a sua impressão da Argentina?

- Magnifica. Buenos Aires é linda. Cantei lá, como você sabe, com êxito.

A platéa  platina é fina e culta. Sabe afferir dos valores. Ou os consagra na estréa, ou os néga. Vae assistir um espectaculo para julgar o mérito do artista.

- E qual é a sua opinião de nossa platéa?

- A nossa é de uma camaradagem absoluta. Acredito que não haja no mundo inteiro uma platéa tão indulgente. Não há quem desencoraje uma artista, com medo de magoal-a. Gente boa, a nossa!

- Conte-nos da sua temporada de Carnaval no Gloria.

- Fui felicíssima. O meu publico compareceu na exacta. Apenas senti a falta da presença de Aurora, que foi victma, como todo o mundo sabe, de um accidente marítimo.  Mas o meu publico, a ‘minha gente’ é tão amável que me perdoou a falta de minha irmã. Com o Bando da Lua, e o (João) Petra de Barros, tivemos noites e tardes memoráveis.

Alegre como um raio de sol; sonora, como um guizo, como uma pandeireta agitada por uma ‘maja’ formosa.

- Por que você prefere o samba no seu repertório?

- Naturalmente porque encontro, nelle, a musica da nossa gente simples e boa. Dor e saudade de um povo. O malandro põe no samba, sua própria alma, toda a sua emoção.

Outro dia, seguindo o seu alvitre, subi o morro. Uma noite linda, como se as estrellas fossem lyrios que se despetalassem no alto.

Céo que era uma maravilha de estrellas.

Subi as ladeiras escorregadias do Salgueiro, fui andando até assistir a batucada e a roda de samba. Lá encontrei o Boruca e o Gargalhada, dois sambistas de fama. A Escola Azul e Branco, dando a nota.

Que poeta esse Gargalhada, ouça: ‘Eu venho derramando lágrimas, não posso resistir esta separação, quero chorar e não posso, tenho remorso, porque eu não tenho razão.

- E, afinal, que me diz do Morro: teve medo?

- De que? Ali mora uma gente laboriosa e humilde que se diverte aos sabbados, cantando e fazendo versos. Como os pássaros.

Embora não seja ‘peca’, estando assim com ‘os caminhos abertos’, porque o ‘meu Santo é bom e forte’, subi, sem o menor temor.

Os bambas ali hoje em dia, são bem outros: não rasgam mais cartas de valentes, vêm, para a praça Onze, cantar os seus sambas magníficos, durante o Carnaval.


Assim falou S.M., a rainha do Samba, sem saber que estava sendo entrevistada.   

'O Malho' 24 May 1934.
'Na batucada da vida' written by Ary Barroso & Luiz Peixoto.

Thursday, June 1, 2017

Heleninha Costa

Heleninha Costa was popular in a time known as radio-auditorim-era - that spanned from the mid-1940s to late 1950s. It was a time when Radio was King in Brazil and most of the broadcasting was done from Rio de Janeiro, the capital of the nation.

Weekly magazine 'Carioca' sent journalist Miguel Cury to interview Heleninha at home, in 1950 and she tells him she earned enough money to buy an apartment for herself; even though she sang Carnaval hits she was a really private person to go out and enjoy herself during those festivities. She confessed she fancied actor Burt Lancaster and would welcome his kisses.

This interview was done a few weeks before she met her own Prince Charming in the person of Ismael Netto. At first they would not see eye-to-eye but eventually he would write 'Afinal' that shot to Number One in the charts in June 1951.

Heleninha recorded 'Barracão' written by Luiz Antonio & Odemar Teixeira Magalhães on 20 August 1952. The disc was released in November and was a hit during Carnaval 1953 - being recreated in the 1970s by Elizeth Cardoso and Jacob do Bandolim.


Heleninha Costa was born on 18 January 1924, in Rio de Janeiro but moved to Santos-SP when she was still a baby.

Helena sang at ‘Hora Infantil’ on Radio Club de Santos in 1938, when she was only 14 years old and became a regular performer at the radio station until she moved on to Radio Atlantica in 1939

At her school holidays, Heleninha would visit her grandparents in Rio and ended up singing at Radio Mayrink Veiga in one of those times.

After  Heleninha graduated as an accountant, she was signed by Radio Tupi in São Paulo but after 6 months had to leave because her father, who was a Federal public servant was re-assigned to Rio and the whole family moved back to their original place.

Helena performed at Radio Nacional and Rio de Janeiro’s Radio Club while also singing at the Casino at Urca – the poshest in the country. She was lucky enough to have been given ‘Exaltação à Bahia’ written by the Casino’s pianist Vicente Paiva to record. As the song became popular Heleninha’s star also moved up.

Heleninha also travelled the country singing at radio stations in Bahia, Pernambuco and Pará. She was invited by Cesar de Alencar to join Radio Mayrink Veiga staying there for 3 years before she moved finally to Radio Nacional where she'd meet her future husband Ismael Neto.  

Tuesday, May 30, 2017

Clark Gable goes to Rio

1935 had been the best year in Clark Gable's career so far. He'd been nominated for 1934's best actor for his role as a rogue reporter in Frank Capra's 'It happened one night', and won the coveted statuette at the 7th edition of the Academy Awards on 27 February 1935, at the Biltmore Hotel in Los Angeles.

Clark spent 88 days (3 months) filming 'Mutiny at the Bounty' with Charles Laughton and Franchot Tone at Catalina Island and as a reward for his hard work, MGM gave him a free trip to South America in which he and his buddy Maddox flew down to Mexico City, Lima in Peru, Santiago de Chile and finally Buenos Aires. 

In Buenos Aires, sick of constant engine noise Clark decided to abandon the air craft and return to the USA onboard the SS Pan America that would skirt up the Atlantic coast and stop at the Santos harbour and Rio de Janeiro. And here's the account of Gable's escapades in Rio.  


Clark Gable chegou ao Rio. O navio SS Pan Americana, em que viajou o famoso ‘astro’, entrou no porto às 9 horas da quarta-feira23 Outubro 1934. Mas antes disso, era já grande o grande número de fãs que aguardavam na Praça Mauá o interprete de ‘Uma alma livre’ ('A free soul'). A bordo era o camarote de Clark, desde cedo, assediado pelos jornalistas. O artista dormia ainda e três cabineiros negros, athléticos como Joe Louis, guardavam a entrada, sem deixar ninguém passar.

Melhor que nos filmes

Quem vê Clark Gable em pessoa não pôde deixar de reconhecer que sua apparência é melhor que nos ‘films’. Alto, forte, sympathico, não tem, pessoalmente, aquelle aspecto rude que nos habituamos a ver nas suas películas. Risonho, amável, gentil Clark Gable attendeu com muita gentileza todos quantos delle se approximaram, supportando, mesmo com um sorriso o assédio.

Gente feliz, os sul-americanos...

Clark Gable diz que sua viagem tem sido maravilhosa. Viajou de avião desde Los Angeles a Santiago do Chile e, em seguida até Buenos Aires. Está encantado com as gentilezas dos fãs. É uma simples viagem de recreio, para descanso, antes que se inicie a produção de ‘San Francisco’, seu novo ‘film’. O último, ‘Rebellião’ ('Mutiny on the Bounty') em que trabalha também Charles Laughton, vae ser lançado depois de seu regresso aos Estados Unidos.

Clark Gable confessou-se admirado do progresso dos países sul-americanos e sobretudo da felicidade do povo, que é, accentuou, um povo alegre, um povo jovial, um povo que ri.

Seu melhor film

Interrogado sobre vários aspectos da vida de Hollywood, guardou Gable absoluta discrição. Não quiz dizer, sequer, qual a artista com que prefere trabalhar. Quando lhe perguntaram qual o film que prefere, entre todos seus trabalhos, Clark, com um sorriso levemente irônico, respondeu: ‘Meu melhor film, segundo penso, foi ‘Aconteceu naquella noite’ ('It happened one night')...’

Nesse film, Clark Gable teve como companheira Claudette Colbert. Ambos foram laureados por esse trabalho, pela Academia de Artes e Sciencias Cinematographicas, como os melhores interpretes de 1934.

Voltará ao Brasil

Clark Gable não sabia ainda se desembarcaria. Em baixo, no caes, a onda de fãs era enorme. Passar no meio daquella molle humana, que se expandia com enthusiasmo, com exclamação, vivas e ditos vários, era arriscar-se a trancos, apertos, a um esmagamento quasi. Clark já fôra quasi massacrado pelos fãs do Chile e da Argentina. Não quer se arriscar de novo. Assim, se desembarcar, será de surpresa, num momento em que encontre via livre...

Accentuou Clark Gable que, não tendo tempo para uma permanência demorada no Brasil, pretende voltar aqui dentro de um anno, afim de conhecer melhor o nosso paiz.

Clark Gable desembarca

Sómente depois das 11 horas decidiu-se o ‘astro’ americano a desembarcar.

Não quiz, porém pisar imediatamente terra firme, tomando uma lancha, na qual em breves minutos se distanciava do caes, decepcionando os fãs, que ali se encontravam.


Clark, em companhia do Sr. William Melniker, diretor da Metro, dirigiu-se para rumo ignorado, possivelmente para o Fluminense Yatch Club, de onde teria tomado um carro para percorrer a cidade. 

article published on the front page of 'A Noite', Thursday, 24 October 1935

Clark Gable in Rio de Janeiro with 'A Noite' building in the background.
Clark Gable being mobbed on board the SS Pan Americana moored at Rio de Janeiro quay.


Celebridade tem também as suas desvantagens. Se nos offerece prazeres e vantagens materiaes, não deixa, todavia, de ter os seus inconvenientes. O individuo famoso já não pertence a si próprio. É um escravo da notoriedade. Não tem tranqülidade, não tem socego, não pode viver calma e docemente como o commum dos mortaes.  Esse é o caso de Clark Gable, o notável actor cinematográfico, que acaba de visitar o Rio de Janeiro, em viagem de recreio.

Saiu o interprete de ‘Mares da China’('China Seas') silenciosamente da California, para realizar um ‘raid’ de avião em torno do continente. Começou pela costa do Pacifico até chegar ao Chile, e depois, alcançando a Argentina, percorrer a costa do Atlantico, demorando-se alguns dias em cada uma das grandes cidades sul-americanas.

Apesar de não desejar exhibir-se, furtando-se o mais possível ao contacto com as multidões pois o seu único propósito era gozar tranqüilamente suas férias, Clark Gable teve que enfrentar em Lima e Buenos Aires o entusiasmo de milhares de fãs. Foi comprimido por multidões em delírio, obrigado a assignar centenas e centenas de autógraphos, posar para milhares de fotographias, deixar-se entrevistar por dezenas e dezenas de jornalistas. A viagem, que era de repouso, transformou-se, assim, em verdadeira roda viva. O ‘astro’ não conseguiu repousar um dia sequer, pois quando terminavam as homenagens ruidosas dos fãs recolhia-se à cabine do avião, para ouvir o ronco ensurdecedor dos motores. 

Em Buenos Aires, Clark Gable não teve outro remédio. Mandou cancellar a passagem de avião e tomou o SS Pan Americana, um dos mais morosos navios norte-americanos, para fazer em 7 dias o trajecto da capital argentina ao Rio, tendo assim a oportunidade de descansar uma semana, muito embora não goste de andar embarcado. Isso limitou o prazo de permanência do celebre artista no Rio.

As fãs brasileiras foram prejudicadas, desse modo, pelo excesso de enthusiasmo das peruanas, chilenas e argentinas, embora seja natural tal comportamento do publico feminino do continente, em face da ‘personal appearance’ de Clark Gable, que é, hoje, o que era Rodolpho Valentino há 12 annos. 

Verdadeiro ídolo da multidão, Gable, com suas maneiras másculas, um tanto rudes, não é uma figura de salão, um galã elegante, mas encarna, sem dúvida, o typo esportivo, enérgico, decidido, audacioso, que realiza o ideal da mocidade moderna.

Sua carreira cinematográfica, um tanto acidentada, mostra que ele tem, na vida real, a mesma decisão que revela nos films. Começou trabalhando em pequenas produções da Universal e da Warner Brothers, projectando-se, mais tarde, como figura de primeiro plano em films de Joan Crawford e Norma Shearer

Quando as sympathias do público, depois de ‘Uma alma livre’('A free soul') de 1931, se definiram em seu favor, Clark Gable fez greve contra a Metro, exigiu aumento de salários, primeiros papeis, vantagens de varias ordens, ameaçando ir trabalhar no theatro em Nova York. Foi assim que se impôs como ‘astro’, pois a MGM se curvou aos seus desejos.

Entre seus melhores trabalhos figuram ‘A irmã branca’('The white sister'), com Helen Hayes em 1933; ‘Possuída’('Possessed') em 1931, ‘Redimida’ ('Letty Lyonton') em 1932 e ‘Quando o diabo atiça’('Forsaking all others') em 1934, com Joan Crawford; ‘Susan Lennox’ em 1931, com Greta Garbo; ‘Terra de paixão’ ('Red dust') em 1932, com Jean Harlow e Mary Astor e ‘Gigante do céo’('Hell divers') em 1932, com Wallace Beery.

Em Santos, São Paulo e no Rio, recebeu Clark Gable expressivas manifestações dos fãs. Sua passagem pelo Distrito Federal foi rápida, pois o notável intérprete de ‘Aconteceu naquella noite’ ('It happened one night') tem pressa de chegar aos Estados Unidos, para recomeçar o trabalho nos estúdios. 

Quando o SS Pan Americana atracou no caes, era enorme a multidão de fãs, que o aguardava, predominando o elemento feminino. Clark Gable foi vivamente ovacionado quando apareceu no ‘deck’ do navio. E milhares de jovens se contentaram em contemplar, à distancia, a figura elegante do galã célebre, que é o novo ídolo masculino do écran. Clark Gable declarou que não desembarcaria. Mais tarde, porém, iludindo a multidão de admiradoras, tomou uma lancha e foi desembarcar longe, percorrendo a cidade em tranqüillo incógnito

Carioca issue # 1 - 26 October 1935.

daily 'A Noite' - Thursday, 24 October 1935
Clark Gable with eager fans in Buenos Aires (?). 


Thursday, May 25, 2017

'Carioca' 1935 - 1944

When weekly magazine 'Carioca' was 9 years old, on 28 October 1944Raimundo Magalhães Junior - its first manager - wrote an article telling how it all started in 1935

Vasco Lima, director of  daily 'A Noite' had asked him to manage a brand new weekly magazine printed in the rotogravure system they wanted to launch. The company had been successful with children's magazines like 'Tico Tico' and 'Fafazinho' and now wanted to expand with a popular magazine that catered for those who liked cinema, sports, current affairs and pop music with a dash of a variety on other subjects.  

Rita Hayworth celebrates Carioca's 10th anniversary straight from Hollywood, California.

R.Magalhães Jr. says he was given 'carte blanche' to do whatever he thought it was right.  He had previous experience having worked with 'Vida Domestica', a weekly rag belonging to 'O Malho'. As radio was becoming an important means of communication, he set up a section about this new medium which expanded as the decade wore on.

He also started a short-stories competition that brought contributions from all over Brazil and revealed new talents like Helio do Soveral who went on to write radio drama; Monteiro Filho, Emanuel Amaral, Jorge Bastos, Euclides Santos plus Ligia Fagundes who would become one of the best fiction writers in the country; Ledo Ivo who sent his short stories and poetry from Alagoas and Clarice Lispector who first translated articles into Portuguese and then wrote original material.


In 1933, I had travelled to Paraguay, Uruguay and Argentina and noticed the importance the Radio industry had achieved in those countries. There were magazines like 'Sintonia' and 'Antena' dedicated exclusively to this new medium so when I was back in Rio in February 1934, I wrote a letter to 'A Noite' directors and suggested they should think more seriously about the advertising potential of radio. I also suggested they should try and open a radio station like 'El Mundo', a Buenos Aires evening newspaper which owned Radio El Mundo and was doing excellent business.

Agnaldo Amado was one of the first reporters to work at Carioca. Later on he was instrumental in organizing the Brazilian Association of Radio (Associação Brasileira de Radio). Martins Castello also joined us. Donatello Grieco stayed with Carioca until Vasco Lima launched 'Vamos Ler' and took him as director. 


By mid 1935, we had the magazine all figured out and were just waiting for something to happen when suddenly it was announced that Clark Gable was in town. Mr. Gable had visited Argentina and was on his back to the U.S.A. when he decided to stop in Rio where he stayed about 24 hours. Most of those hours trying to evade fans and reporters eager to get a photo opportunity. So 'Carioca' was finally out in the newsstands on Saturday, 26 October 1935, with Clark Gable on the cover; our very 1st issue. 

journalist Vasco Lima (right) with Roberto Marinho (with moustache) & Roque Garneiro's daughter.
Raymundo Magalhães Junior flanked by writer Lucia Benedetti and actor Procopio Ferreira after unveiling a plaque celebrating the 200th presentation of his play 'Essa mulher é minha' at Teatro Serrador in Rio de Janeiro in 1951
'Carioca' explains what 'carioca' means - 26 October 1935

Tuesday, April 18, 2017

Dolores Duran weds Macedo Neto - 2 July 1955

1955 had been a great year for Dolores Duran so far. She had finally hit the top of the charts with the beautiful 'Canção da volta' (The come back song) written by Ismael Neto & Antonio Maria.

Macedo Neto, a radio actor and comedian had had a rough 1954, having attempted suicide in December - a fact that was not hidden by the local media. On the rebound, Macedo wrote the lyrics for 'P'ra que falar de mim?', an inspired melody written by Ismael Neto who had given 'Canção da volta' to Dolores.

Ismael suggested Dolores would be the right singer for the song so he arranged a meeting with her. Apparently it was love at first sight. Macedo & Dolores were engaged almost at the spot.

Suddenly, on 1st March 1955, Dolores had a close encounter with Death when she had heart attack. She was taken to a hospital where she stayed for a few days. Macedo was broken-hearted, having just survived a suicide attempt not 6 months before. During his distress Macedo went out of his way and had the all the papers ready for their wedding.

Dolores Duran nee Adiléia Silva da Rocha marries Macedo Neto nee José Oswaldo Noronha Macedo Netto on 2 July 1955, a Friday morning.



Quase em segredo, Macedo Neto e Dolores Duran compareceram ao Cartório e casaram-se. Apenas Heleninha Costa e Ismael Neto, além de poucos outros, sabiam que Macedo Neto, o comediante da Mayrink Veiga e Dolores Duran, cantora da Nacional estavam perdidamente apaixonados.

- Como é que vocês se conheceram?

Macedo Neto explica:  ‘Foi há 6 meses apenas, e tudo por causa de uma música. Eu e o Ismael fizemos uma musiquinha chamada ‘P’ra que falar de mim’. Ele achou que a interprete ideal seria a Dolores. Concordei e a ela fui apresentado pela Heleninha e o Ismael. Daí....’

Macedo sorri, enlevado, e conta que houve uma coisa assim de amor à primeira vista. Voltaram a encontrar-se, outras vezes, formando um grupo com a Heleninha, Ismael, Fernando Lobo e outros amigos. Quase sempre iam jantar no Cabeça Chata. O namoro pegou mesmo e os dois acharam que a história deveria acabar em casamento mesmo.

- Então, há 2 meses, resolvemos acertar tudinho. Aí a Dolores ficou doente, do coração (3 Março 1955). Eu sofri um bocado! Não perdi tempo, reuni o papelório e, no dia 2 de Junho, procurei o despachante, pedindo-lhe que marcasse para o dia 27 de Junho para o casório. Mas o homem complicou as coisas, atrasou-se e só no dia 24 foi tratar do assunto, veja você.

Macedo diz-nos que ele e Dolores estão residindo em Ipanema e que deveriam viajar para Itápolis-SP, na região de Araraquara, onde nasceu. 

- ‘Vamos ver meus irmãos. Infelizmente meus pais não chegaram a viver até esse dia. Eu tenho 32 anos, nasci em 17 Novembro 1923. Dolores tem 25, é carioca, nascida a 7 Julho  1930.

Os padrinhos do casamento foram Heleninha Costa e Ismael Neto, naturalmente, pois foram nossos Cupidos, e o dr. Lauro Paes de Andrade e dona Heloísa, nossos bons amigos.

- Estamos nos casando apenas no Civil porque não somos católicos. Eu e Dolores somos espíritas. 


Macedo Neto when he was 27 years old in 1950; he worked as a radio-actor and comedian at Radio Mayrink Veiga. 
Revista do Radio, 11 December 1954; shocking news about Macedo Neto attempt to kill himself. He was taken unconscious to a hospital where he stayed a few days. He'd left a note saying he wanted to die due to an unrequited love

P'ra que falar de mim?

P'ra que falar de mim, que eu não existo p'ra você
de uma história terminada, 
p'ra que falar de mim?

Não fale bem, nem mal, não fale nada se puder
por favor, que eu lhe peço é nem lembrar sequer 

Eu sou coisa que já foi, que não deseja voltar
uma lágrima chorada
não se deve mais chorar

Tudo que passou, passou, toda história tem um fim
se eu passei em sua vida
p'ra que falar de mim?
p'ra que falar de mim? 

written by Macedo Neto with music by Ismael Neto.

Macedo Neto had a hectic life. After leaving the hospital he went back to work. Met Dolores Duran a few weeks later and fell in love with her. They became engaged and soon after - in early March 1955, Miss Duran had a heart attack and stayed in hospital some time. Macedo thought they should get married sooner than later and that happened on 7 July 1955
Nós já tivemos a nossa fase de carinha apaixonado
de fazer versos, de viver sempre abraçados
naquela base do 'só vou se você for'... 
'Fim de caso' written by Dolores Duran.
Macedo & Dolores were best man & maid of honour at the wedding of Nancy Wanderley & Francisco Anysio held at Saint Nicholas Church on Avenida Gomes Freire, 569 in Rio de Janeiro-DF, on 14 August 1956. Nancy Wanderley had been married previously so she had an Orthodox wedding at São Nicolau's. 'Correio da Manhã' 22 August 1956. 


With a few clips cut out of Revista do Radio one may follow what was a wedding made-in-heaven cool off to smoke & ash in the span of about 2 years. That was the way Duran-Macedo's marriage soared and landed flat on the floor. It seemed that Dolores Duran knew she didn't have too much time on her hands so she had to live fast, 

Dolores & Macedo celebrate their 1st wedding anniversary on 2 July 1956.
Dolores & Macedo celebrate their 2nd wedding anniversary on 2 July 1957.

Dolores Duran plans her European tour... 
Macedo-Duran marriage would not reach the ripe age of 3 years. After Dolores returned from Russia and Paris they split up.