Friday, July 25, 2014

ROBERTO VIDAL

There was a time between 1952 and 1962, that Nelson Gonçalves was simply the most popular male singer in Brazil. He had a strong baritone voice and usually recorded samba-canções, dolent melodies usually depicting some personal drama involving 'fallen women' and betrayed trust. 

Roberto Vidal was a kid from Ipiranga, in São Paulo who had a good baritone voice too and wanted to be famous like Nelson Gonçalves, his idol. He tried his luck at gong shows like 'Peneira Rhodine' at Radio Cultura and because of his good looks and pleasant voice was soon offered a contract by RCA Camden, the parent record company that had released Gonçalves hits.

Roberto Vidal, whose real name was Sidney Grigoletto had a string of hits during a stretch of time that spanned 1959 through 1962. Song writer Adelino Moreira who wrote especially for Nelson Gonçalves had a major fall-out with his partner and as a result Adelino started giving new-comer Vidal his best songs. 

Adelino Moreira's 'Dois amores' and 'Maria Helena' were Roberto Vidal's greatest hits even though my favourite Vidal record is the sombre 'Quatro velas' (Four candles) where he tells about the sadness of losing his wife to an early death. 

As rock'n'roll and other modern trends made themselves felt, Roberto Vidal found less and less chances of getting back on top so by 1964, Vidal was already 'history'. But he has never been forgotten by those who had the chance to listen to his plaintive voice. 


Sidney Grigoletto, seu verdadeiro nome, começou sua carreira no programa de calouros ‘Peneira Rhodine’, diretamente do auditório super-animado da Radio Cultura, na Avenida São João. 

Oriundo da região do ABC Paulista, morou no Ipiranga, apresentando-se no C.D.R. São José, no CAI, no Cisplatina etc. cantando em dupla com a noiva como ‘Sidão & Cidinha’. 

Tendo a voz muito parecida com a de Nelson Gonçalves, Vidal foi contratado pela RCA Camden, e passou a lançar 78 rpms de grande aceitação popular. Apesar de nunca ter conseguido a fama de seu ídolo, Roberto lançou musicas de muita qualidade, que seriam, mais tarde, gravadas por seu próprio mentor Nersão. ‘Maria Helena’ é um bom exemplo. 

Na época em que Adelino Moreira rachou com o ‘Metralha’, Roberto tornou-se o lançador oficial dos sambas-canções do compositor lusitano. “Dois amores” é um samba-canção meio gozador, pois o cara tem duas mulheres gostando dele, e o garanhão não sabe com qual ficar.
'Roberto Vidal' CALB-5038 RCA Camden 
A biografia de Roberto Vidal pode ser assim descrita: paulista do bairro do Ipiranga, começou cantando em parques infantis. Em seguida meteu-se em programas de calouros. Venceu um deles que oferica cameras fotográficas como prêmio e isso por 18 vezes. Em 1957, entrou no concurso 'A Procura da Mais Bela Voz' e conseguiu o 3o. lugar. No concurso 'A Voz de Ouro' classificou-se em 1o. lugar. No programa 'Calouros em Desfile' conquistou o 1o. posto. Convidado por Alberto Dias, veio para a RCA onde confirmou plenamente suas qualidades de cantor. Ei-lo agora neste LP produzido por Julio Nagib. assinado: Basilio Alves.  

Dois amores

Eu vi as duas chorando, 
chorando por mim, sofrendo por mim
(eu v, eu vi, eu vi, eu vi)

Fui consolar uma delas
a outra chorou , chorou muito mais
(sofri, sofri, sofri, sofri)

Eu que vivia sofrendo sem um bem a quem amar
tenho duas me querendo e não sei com qual ficar
pois se uma me admite, a outra muito me quer
e Deus do céu só permite um homem p’ra cada mulher

Se eu não fosse marmanjo, já cansado de pecar
e pudesse ser um anjo com azinhas p’ra voar
iria pedir a Deus, lá no espaço sem fim
que mudasse a Lei do Céu, deixando a duas p’ra mim. 

samba de Adelino Moreira; canta: Roberto Vidal

Maria Helena

Um dia Maria Helena,
triste morena me procurou
veio saber se eu sabia
daquele amor que foi seu um dia

'Não chore, Maria Helena, não chore',
cheio de pena lhe respondi,
'Aquele amor que foi seu um dia, Maria
nunca mais eu vi'.

Não chore, Maria Helena, não chore
eu estou aqui p’ra lhe consolar
seu amor talvez ainda se demore
mas o meu amor acaba de chegar

Maria Helena me olhou
no fundo dos olhos 
e chorou, chorou. 

samba-canção de Adelino Moreira; gravação de Roberto Vidal 


Quatro velas

Era ela a dona da minha vontade,
era ela a minha mais doce amizade
era ela que meu coração alegrava
que louva de raiva brigava, se alguém por acaso me olhava, era ela

Era ela que o bairro inteirinho adorava
quando à noite na roda de samba cantava
era ela que a vizinhança atendia
levando p'ra uns alegria e conforto p'ra quem pedia.

Mas um dia, que todos nós temos o nosso
todo bairro de dor e tristeza chorou 
recordar sem chorar, não sei mesmo se posso
tal o golpe que o meu coração suportou

Sobre a mesa de pinho do nosso quartinho
quatro velas falavam de um luto de amor
era ela que Deus para sempre levou
e depois nunca mais a tristeza me abandonou.

samba de Sereno & Hubaldo Silva; canta: Roberto Vidal


Comentários sobre 'Quatro velas'

Morte em música popular não é um tema muito comum. Na antiga musica Sertaneja a morte era mais comum, mas na popular, a morte sempre passou ao largo. ‘Quatro velas’, como diz o título, descreve nua e cruamente o cadáver da personagem principal dentro de um caixão, circundado por quatro velas ardentes, em cima da mesa de pinho do quartinho do barraco onde moravam ela e o contador da história.  

A heroína era quase que uma líder comunitária, pois bastante popular no bairro onde morava, visitando pessoas em suas casas, para levar conforto aos menos afortunados, mesmo que ela própria, morasse em apenas um quartinho. Além disso, ela cantava em rodas de samba quando o bairro congregava na alegria. 

O contador não revela a ‘causa mortis’, mas apenas o fato inexorável da visita da Morte, não deixando de lembrar a todos os ouvintes que é um dia ‘que todos nós temos o nosso’. 

“Quatro velas’ me impressionou muito quando eu o ouvi no radio, ainda menino. Depois que cresci, procurei esse disco como agulha no palheiro, mas só vim a escutar essa música novamente na vóz do grande Noite Ilustrada que a gravou em um de seus inúmeros LP’s, como parte de um pot-pourri nos anos 90.


O tema musical: Morte
escrito por Jaime Moura, que também teve seu 'dia' em 2012. 

'Quatro velas' me impressionou muito quando eu a ouvi no radio, ainda menino. Depois que cresci, procurei esse disco como agulha em palheiro, mas só vim a escutar essa música novamente na voz do grande Noite Ilustrada, que a gravou em um de seus inúmeros LPs, como parte de um pot-pourri nos anos 1990s. 

Considero 'Quatro velas' a música mais pungente, das que descrevem a morte de alguma forma. 'Coração de luto', de Teixeirinha, talvez seja a mais famosa de todas, embora os falsos intelectuais e fariseus tentem desmerecê-la, tentando ridiculariza-la, chamando-a de 'Churrasquinho de mãe', o que eu considero um tremendo mau-gosto e de uma má-fé gritante. Os fariseus devem ter problemas em lidar com a morte e se inflamam quando veem que o Teixeirinha contou em versos e música a tragédia que foi sua própria vida. 

Agora, vai a letra de 'Maria Helena', que não tem nada de morte, nem com a outra Maria Elena (és a verbena que murchou...) Jaime Moura. 


Fatos & boatos sobre o paradeiro de Roberto Vidal 

do site 'São Paulo, minha cidade'; autor: Leonello Tesser (Nelinho)

Hoje quero falar de um grande amigo com quem passei agradáveis momentos na minha juventude. Trata-se de Sidney Grigoletto. Nós frequentávamos o C.D.R. São José, esse rapaz cantava muito bem. Dono de excelente voz, foi finalista de um concurso que a TV Record, Canal 7, realizou para descobrir novos talentos. Logo em seguida passou a atuar no radio e TV sob o nome artístico de Roberto Vidal. 

Gravou alguns discos, participando do programa 'Astros do Disco', que a TV Record exibia aos sábados à noite. Membro de tradicional família do Ipiranga, Sidney, infelizmente teve uma carreira artística muito curta. 

Por onde andará esse velho amigo?  e-address do autor: It.Itesser@hotmail.com

Nelinho,

Conheci o Roberto Vidal quando ele cantava com a noiva e a dupla chamava-se Sidão & Cidinha. Infelizmente, a última vez que o vi (foi no Ipiranga), ele estava totalmente devastado e completamente desequilibrado pelo vicio do tóxico. Infelizmente foi mais um que não aguentou o sucesso. Pena, pois ele era um bom cantor e uma excelente pessoa. Abraços, A.Souto. (enviado em 20 Fevereiro 2008 por Antonio Souto: asouto26@yahoo.com.br).

Notícias atuais sobre Roberto Vidal. Aos membros da comunidade:

Recentemente recebi notícias de familiares do Roberto Vidal (Pedro Sidney Grigoletto). Não é verdade que ele 'vagueia' pelo bairro do Ipiranga, em São Paulo. É certo que ele está sempre sentado em algum banco nas proximidades do Museu, mas isso, como tantas outras pessoas aposentadas que já deram sua contribuição ao Brasil. E Roberto Vidal foi um de nossos melhores cantores!

Há poucos dias, uma prima nossa foi até o Ipiranga e conversou com Roberto Vidal. Este lhe deu atenção, foi gentil, identificou-se com seu R.G. e falou sobre alguns Grigolettos que poderiam ser os mesmos parentes de ambos, já que minha prima também tem sobrenome Grigoletto. Em poucos momentos de conversa, não demonstrou estar desequilibrado, como dizem alguns comentários. Aparentemente está bem de saúde. Um grande abraço, Getúlio Grigoletto. 


Roberto Vidal em 2012



Roberto Vidal registra sua voz para a posteridade em instalação no Monumento à Independência do Brasil no Ipiranga, em Julho de 2012.

Desde o dia 9 Julho 2012, Roberto Vidal passou a integrar o Monumento à Independência do Brasil. Antigo cantor da região do Ipiranga, Vidal foi gravado cantando sobre as escadas do monumento, de onde, agora podemos ouvir sua voz ecoando em nossos ouvidos, no momento em que estamos de frente para a pira e com o olhar voltado para o centro da cidade de São Paulo. Diante da gigantesca arquitetura do monumento e do esforço realizado pelo cantor sobre as escadas, o trabalho parece evidenciar relações de poder e fragilidade. 




Roberto Vidal nas escadarias do Monumento.


leia mais em: http://buenozdiaz.net/seresteiro.html


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