Sunday, July 8, 2012

ANSELMO DOMINGOS e a Revista do Rádio

Alda Garrido & Anselmo Domingos in 1947 for 'Cena Muda'

Anselmo Domingos nasceu escritor

Recordando Placido Ferreira, a quem deve muito – um programa especializado que fez sucesso  - Questão complicada do nascimento do radio-teatro religioso – Não fará mais ‘teatro para rir’ – uma tentativa cinematográfica – Uma novidade para finalizar

Anselmo Domingos nasceu com a pinta de escritor. Garoto de calças-curtas, com ligeiros conhecimento do alfabeto, quando não rabiscava as paredes da sua casa, enchia de autênticos hieroglifos os muros vizinhos.  Afirmava estar ‘escrevendo’ histórias, embora os ‘leitores’ não conseguissem decifrar a escrita... Mas o menino da Praça Onze foi crescendo, sem contudo ser contaminado pelo virus do samba. E, quando menos se esperava, eis que seu nome é pronunicado ao microfone da Radio Ipanema, como responsável por um jornal humorístico do programa ‘Horas Portuguesas’ então dirigido pelo saudoso Genaro Souza.

Nesse primeiro contato com o radio, Anselmo Domingos foi razoavelmente sucedido. Ele sabia que aquele jornal humorístico era apenas a ‘porta aberta’ para as outras coisas que desejava escrever. Deixemo-lo contar o que o levou a escrever para o microfone.

- A natural vocação que sempre tive para escrever. O primeiro trabalho foi ‘Pelo amor de Deus’, feito em parceria com um amigo Walter Vigio. Levei a peça ao Placido Ferreira e ele, além representá-la com todo o esmero no ‘Teatro pelos ares’, da Mayrink Veiga, animou-me e aconselhou-me bastante. O pranteado Placido foi um dos raríssimos alentos que encontrei no início de minha carreira. Devo-lhe muito e dele jamais me esquecerei.

Nesse mesmo periodo, entusiasmado com a evolução do ‘broadcasting’ carioca e desejoso de aproveitá-lo para difundir as coisas da ribalta, o popular novelista das ‘Associadas’ lançava na Radio Transmissora, o programa ‘Boca de cena’, focalizando todos os assuntos relacionados com a arte de (François-Joseph) Talma. Vultos proeminentes do teatro, escritores, criticos e artistas desfilaram através dêsse cartaz que, por motivo de economia, deixou de ser irradiado.

Já então, pertencia  Anselmo  ao quadro de redatores de ‘Cine-Radio-Jornal’, onde, além de assinar movimentadas reportagens, escrevia interessante secção teatral. Colaborava ainda, num vespertino carioca, escrevendo humorismo. Era a inapelável vocação para escrever.

Anselmo lê em forma de livro 'Terezinha de Jesus', sua mais popular novela radiofônica:

Teatro-religioso, assunto complicado

Progredindo sempre, Anselmo Domingos chegou à direção artística da Radio Tamoyo. Isto depois de escrever aproximadamente umas 50 peças para o microfone. Também idealizou e apresentou várias dezenas de programas, inclusive o ouvidíssimo ‘Club dos fans’. À frente da parte artística da PRB-7, onde substituiu Fernando Lôbo, sua atividade foi das mais intensas e proveitosas. Aliás, na sua gestão é que nasceu o ‘Teatro Religioso’. Mais uma vez cedamos a palavra ao novelista para explicar o nascimento dêsse cartaz , embora ele afirme ser...

- ‘... uma questão complicada. Só eu conheço vários ‘padrinhos’ da ideia, entre os quais os meus amigos Santos Garcia, Atila Nunes, Romulo Gomes, Julio Louzada e Nicolau Tuma. Ao certo, não sei quem teve a ideia primeiro. Eu estava então na direção artística da Tamoyo e resolvi lançar o teatro escrevendo inicialmente a novela sobre a vida de Santa Terezinha do Menino Jesus, patrocinada pelos Laboratórios da Hepatina, da qual é diretor o meu amigo Mario Andrade Braga. Dado o sucesso da audição, o patrocinador continuou, a estação manteve o teatro e eu prossegui escrevendo as novelas.

Anselmo Domingos, ao contrário da maioria de escritores, não teve preferencia por esta ou aquela peça, embora já tenha escrito 30 novelas, 50 peças e inúmeros ‘sketches’. Aliás, ele tem o habito de não ouvir nem reler os trabalhos feitos para o radio. Tem uma certa simpatia pela novela ‘Jerusalem’ que, registrou grande êxito, apesar dele atribuir à interpretação dos artistas e à direção de Olavo de Barros. Essa novela, como é do conhecimento dos ouvintes da Tamoyo, encerra a história de Jesus de Nazareth.

Anselmo Domingos, no momento - Novembro  1947 – responde pelas novelas do ‘Teatro Religioso’ da Radio Tamoyo e pelo programa ‘Semana em revista’ da Radio Tupi. Exclusivo das Emissoras Associadas, seu contrato é na base de ordenado mensal. Por isso não há uma produção melhor paga do que outra. Contudo, a novela ‘Terezinha de Jesus’, por já estar editada em livro, deu-lhe mais proventos que as outras.


Começou no teatro de amadores

O micróbio teatral estava no sangue de nosso focalizado. A prática do teatro de amadores onde ele foi intérprete, ensaiador e autor, valeu-lhe muito. Por isso, hoje, não confunde estúdio com palco e distingue perfeitamente as duas técnicas. Dêsse modo não lhe foi dificil ingressar no profissionalismo, como teatrólogo. Genésio Arruda, Darcy Cazarré, Procópio Ferreira e Alda Garrido receberam-no com a melhor boa vontade.

Anselmo Domingos tem uma boa estrêla. Com Genésio Arruda tem uma peça ‘Genésio detetive’, que faz sucesso de gargalhadas em tôdas as praças onde o popular cômico chega. Com a Companhia Cazarré, a peça ‘Cem gramas de homem’ já lhe deu um automóvel... Com Procópio Ferreira tem ‘Adão e Eva’, uma sátira já montada em São Paulo e Rio Grande do Sul, com referências apreciáveis da crítica. Com Alda Garrido possui ‘Rosa das sete salas’, que já fez duzentas representações e agora ‘Maria da Fé’, uma peça diferente de tudo quanto ele escreveu para o palco.

Fato curioso. O autor de ‘Terezinha de Jesus’, escreve novelas religiosas e temas sérios para o microfone, enquanto no teatro faz peças engraçadas. Agora, porém, ele afirma que deixará o ‘teatro para rir’, dedicando-se aos assuntos mais substanciosos. Essa ‘Maria da Fé’ que preparou para Alda Garrido é a transição. Tem outros temas em desenvolvimento, um para Jayme Costa, outro para Henriette Marineau e vários para Alda.

A propósito da noticia de que escreveria um argumento para o cinema brasileiro, Anselmo declarou-nos que...

- Há tempo, o Watson Macedo pediu-me um enrêdo para um filme que dirigiria na Atlântida, mas não chegamos a um acôrdo. De outra feita vieram procurar-me para que fizesse um argumento inspirado numa das minhas novelas relilgiosas, mas até agora o assunto ainda não foi encerrado, dependendo de vários detalhes. Por sua vez, Alda Garrido tem vontade de filmar ‘Maria da Fé’, por achar o tema bastante cinematográfico, mas também o caso depende de cirscunstâncias que estãos sendo analizadas pela querida atriz.

Como fêcho desta reportagem em torno à carreira do ‘radio-wirter’ e teatróloto, Anselmo Domingos, uma novidade. Novidade que o próprio escritor faz questão de dizer. Ei-la:

- Tenho uma notícia nova. É o meu livro ‘Histórias do Menino Jesus’, escrito especialmente para as crianças e que acaba de ser lançado nas livrarias pela Norte-Editora. Muitos livros há sobre Jesus e sua vida pública, aos 33 anos de idade. Inspirando-me, portém, nas Sagradas Escrituras, consegui escrever algumas histórias sobre a sua infância. O livro ai está, dedicado às crianças do Brasil.

'A Cena Muda' de 9 Dezembro 1947
reportagem de Armando Migueis
fotografias de A. Vieira
Anselmo Domingos na revista 'Carioca' de 8 Dezembro 1949.

Anselmo Domingos é um dos bons novelistas de que dispõe o nosso radio. Autor de várias novelas religiosas de sucesso, não abusa do sensacionalismo, e consegue assim dar às suas produções um cunho agradável, sem capítulos tragicômicos ou berreiros coletivos. Escritor elegante e honesto, Anselmo possui hoje um dos maiores públicos entre os ouvintes do radio-teatro.

Nasceu em 17 Abril 1917no Rio de Janeiro-DF e até hoje - 1949 - já escreveu cerca de 50 novelas, entre elas 'Terezinha de Jesus', 'Jerusalém', '' Confissões de Santo Agostinho', 'Anjo ou demônio?', 'Pecado de mãe'.  

Prefere escrever pela manhã, à máquina, e raramente ouve irradiações de trabalhos seus, embora sejam eles dos mais difundidos. Está atualmente na Radio Tamoyo, e dirige uma revista de assuntos radiofônicos, a famosa 'Revista do Rádio'.

leia mais sobre a RR: http://hemerotecadigital.bn.br/artigos/revista-do-r%C3%A1dio


1o. número da Revista do Rádio - Fevereiro 1948Página editorial lembra a 1a. capa da Revista do Rádio em 2 Março 1963 - 15 anos e 702 números depois. 

Anselmo Domingos foi o criador e editor da Revista do Rádio. Anselmo começou a carreira escrevendo peças de teatro, como 'Rosa das sete saias' e 'Adão e Eva'. De 1947 até inícios dos anos 50, dedicou-se às novelas de cunho religioso para rádio. Além de escritor, Anselmo também era radialista e ganhou destaque no meio jornalístico pela atuação como editor e diretor artístico da Rádio Educadora, depois chamada de Tamoio. Entretanto, seu grande projeto profissional era ter sua própria revista para falar com mais abrangência de assuntos do rádio brasileiro.


Ruy Castro fala sobre Anselmo Domingos 

A 'Revista do Rádio' refletia a personalidade de Anselmo Domingos, um católico extremado (congregado mariano), homossexual (assumido e discreto), com grande visão comercial e de uma generosidade pessoal que chegava a beirar o irresponsável. Em 1947, ele percebeu a ausência no mercado de uma revista que desse maior cobertura ao radio - já que 'Carioca' e 'Noite Ilustrada' preferiam falar de cinema - e com um capital que lhe foi adiantado por China, famoso banqueiro do jogo-do-bicho do bairro da Saúde, partiu para a criação de seu mini império. Sua redação sempre funcionou em prédios próprios, a gráfica era dele também, e ele soube diversificar a produção fazendo revistas religiosas e para a enorme e rica colônia portuguesa no Rio.

O casamento de um artista esgotava a tiragem da Revista do Rádio e exigia reedições. Um desquite, desde que consumado, idem - a revista conseguiu manter uma atitude olímpica até diante do tremendo escândalo que envolveu a separação de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins em 1952. Enquanto o 'Diário da Noite' abria manchetes diárias contra Dalva (em sórdidos artigos de David Nasser, assinados por Herivelto), a Revista do Rádio, sempre ao lado de Dalva, conseguia não ser ofensiva contra seu ex-marido, compositor e homem influente da Radio Nacional. 

Faour não conta, mas, em 1959, sob o impulso da conquista pelo Brasil da Copa do Mundo na Suécia, Domingos criou também a ótima Revista do Esporte, na mesma linha da do rádio, e destacando, inclusive, a Candinha. 

À prosperidade da Revista do Rádio, seguiu-se a súbita derrocada, e não porque outras publicações, como a Radiolândia, mais bem impressas ou escritas, ameaçassem a sua primazia - quando se tratava de lidar com artistas, ninguém tinha o know-how de Anselmo Domingos. O próprio Anselmo cavou seu buraco ao envolver-se com drogas (cocaína, éter) e sofrer as consequências inevitáveis da dependência: desorganização profissional, problemas financeiro, ruína pessoal. Mesmo os maiores amigos de Anselmo, como os cantores Jorge Goulart e Nora Ney, foram tomados de surpresa pela sua nova e trágica personalidade. E, ao deixar os negócios em mãos de associados, sua revista declinou de estalo, arrastando tudo: as outras publicações da empresa, o parque gráfico, as instalações suntuosas.

Para Faour, Anselmo pode ter sido levado às drogas por não suportar a contradição entre sua fé religiosa e o homossexualismo. Mas, nem tudo Freud explica, e, para mim, Anselmo envolveu-se com drogas apenas porque teve a oportunidade para isto. Ao morrer, alguns anos depois da Revista do Rádio, já perdera tudo: os Cadillacs, as propriedades, a saúde e os amigos, alguns dos quais sustentara ou a quem dera presentes apaixonados. 

Parte de artigo escrito por Ruy Castro para o jornal O Estado de S.Paulo de 16 Novembro 2002; resenha sobre livro 'Revista do Radio' de Rodrigo Faour, edição da Relume-Dumará/Rio Artes, coleção Arenas do Rio. 

Anselmo Domingos chegou a trabalhar como colunista da revista 'Amiga', de propriedade dos irmãos Bloch, em 1973. Não se sabe muito sobre seus ultimos dias, mas Anselmo faleceu em 31 de janeiro de 1975, sendo enterrado em 2 fevereiro 1975.  


Anselmo Domingos, Manezinho Araújo e Ilka Nora, secretária de Anselmo.
Pelé na capa do 1o. número da 'Revista do Esporte' - 14 Março 1959. 

Se Anselmo Domingos demonstrou ser um apreciador da Era do Rádio, da mesma forma revelou sua paixão pelo esporte. O grande desempenho da seleção brasileira na copa da Suécia estimulou Domingos a criar, em 1959, uma publicação que seguisse a mesma linha de sua bem sucedida Revista do Rádio.

A Revista do Esporte era uma nova publicação que trazia algumas semelhanças quanto à linha editorial utilizada pela sua antecessora. Entre elas, por exemplo, a adaptação do sucesso “Mexericos da Candinha” que ganhou o nome de “Candinha no Esporte”. Entre as seções habituais oferecidas por ela, figuravam as do “Apito Final”, “Flagrantes” e “Uma Volta pelo Mundo”.

A revista que circulou até o início dos anos 1970 demonstrou, sua preferência em focar as personalidades de maior evidência no campeonato brasileiro de futebol. Seus leitores, além de encontrarem informações técnicas sobre a condição dos estádios e a ficha completa da escalação dos times, também podiam ler sobre a vida pessoal dos jogadores fora de campo.
reportagem da Revista do Esporte com Maria Ester Bueno; Francisco Alves.
Orlando Silva & Emilinha Borba  #26 (1952); Linda Baptista - #33
Nelson Gonçalves & Gregório Barrios - #42; 'Vamos cantar' - 1955 - Cauby Peixoto, Ângela Maria, Maysa & Nelson Gonçalves.
'Vamos Cantar' 1956 - Maysa, Cauby Peixoto, Francisco Carlos & Ângela Maria; 'Vamos Cantar' 1959 - Ângela Maria, Celly Campello & Elvis Presley.
# 762 Consuelo Leandro & Chocolate; # 860 - Elis Regina.
Linda Baptista comanda o auditório da Radio Record de São Paulo.
Ary Barroso no Cassino da Urca em 1943, ladeado por Herivelto Martins, Linda Baptista, Dalva de Oliveira, Grande Othelo e outras.
9 Janeiro 1960 - no. 538 - RR relembra 1959; morte de Dolores Duran.
30 Abril 1960; no. 554; Anselmo Domingos tenta explicar a natureza do Sucesso!
RR 14 Maio 1960; no. 556; Anselmo explica o que é Video Tape.
RR 4 Junho 1960; no. 559; mais explicações sobre o que é Video-Tape.
RR 25 Junho 1960; no. 562; candidatos à Presidência da República: Lott, Jânio e Ademar. Anselmo doesn't let on who he chose as his candidate.
RR 7 July 1960 - Anselmo Domingos, Borelli Filho & friends were really conservative minded. They were chauvinist and narrow-minded. As everyone knows Bossa Nova was a new-sound, a new way of writing popular Brazilian music that was utterly new. Antonio Carlos Jobim, Carlos Lyra and other musicians worked with new harmonic structures which took it close to the American jazz but with a beat that was typically Brazilian making it altogher new

Anselmo & friends denied there was something 'new' in Bossa Nova. They claimed Bossa Nova had always existed - since the olden days of Noël Rosa, Lamartine Babo & Marilia Baptista only making it clear to everyone their lack of true knowledge and coarseness. Reading this editorial in the 21st century only makes one laughs of their ineptitude and uncouthness. 
RR 20 Agosto 1960; no. 570; Anselmo Domingos goes to New York.
RR 24 Setembro 1960; no. 575; Anselmo defende a dublagem de 'enlatados' na TV.
Mário Júlio, chefe da redação de RR em São Paulo entrega medalhas de ouro a Pedro Luiz e Mário Moraes, ambos da Radio Bandeirantes. RR 31 Dezembro 1960.
RR 31 Dezembro 1960; no. 589; Anselmo diz que a Radio Nacional teria que ter concessão de TV.
Seção 'São Paulo não pode parar' de Mário Julio começa na Revista do Rádio.
RR 22 Julho 1961; no. 618; pesquisa de mercado sobre revistas populares.
9 Setembro 1961; no. 625; preço da Revista do Radio aumenta.
RR 14 Outubro 1961; no. 630; a Radio Nacional é uma obsessão de Anselmo Domingos.
Mário Júlio publica os endereços das 5 emissoras de TV de São Paulo - 14 Julho 1962.
RR 14 Julho 1962; no. 669; Anselmo Domingos goes to Chile for the 1962 Football World Cup.
RR 21 Julho 1962; no. 670; explicações gerais sobre a infra-estrutura de comunicação durante a Copa do Mundo de 1962 no Chile.
RR 22 Setembro 1962; no. 679; a inflação aperta e a RR sobe de preço.
RR 17 Novembro 1962; no. 687; Anselmo Domingos goes to Portugal.
RR 12 Janeiro 1963; no. 695; a inflação infla... e a RR sobe mais uma vez.
RR 18 Maio 1963; no. 713; o dollar sobe e é assunto editorial da Revista do Rádio.
RR 27 Julho 1963. O debate político se acirrava no País. João Calmon, do grupo das Emissoras Associadas, representando a Direita, ataca Leonel Brizola da 'Nova Esquerda'. Tudo isso se tornaria 'ponto morto' depois do Golpe de 1o. de Abril de 1964. O País se tornaria um grande túmulo da Liberdade de Expressão. 
RR 11 Janeiro 1964. O radialista do ano é Miguel Leuzzi Junior, da Rede Piratininga que possuía mais de 40 emissoras pelo País. Note que Leuzzi era identificado com o PSD - Partido Social Democratio, que era parte da Coligação que sustentara os governos Getulio Vargas, Juscelino Kubitschek e agora o Presidente João Goulart que seria derrubado por um golpe militar em 1o. de Abril de 1964.
RR 7 Março 1964; musicas especialmente compostas para o Carnaval estavam escasseando. 1964 foi, talvez, o último ano que houve mais de 1 sucesso carnavalesco; 'Cabeleira do Zezé', cantada por Jorge Goulart, fazendo chacota do novo estilo de pentear dos 'cabeludos' e 'Bigorrilho' com Jorge Veiga que foi 'musica de meio-de-ano' também.
RR 20 Junho 1964;  Anselmo explica como a Musica Italiana moderna tomou de assalto o Brasil. Muito boa análise, principalmente depois de passados tantas décadas. Anselmo acertou em vários pontos, mas, infelizmente errou quando apostou que a musica norte-americana teria 'acabado'. Ela voltou, com mais ímpeto ainda a partir de 1968, ajudada pela Ditadura Militar que se alinhou à política dos EEUU em todo e qualquer ramo de atividade, seja militar ou artística.

Italianas - A época é decididamente das músicas italianas. Que tomaram conta do mercado e, consequentemente, tem o melhor quinhão na programação das nossas emissoras. E a que se deve essa influência avassaladora? Certamente a própria tonalidade das músicas italianas, que são alegres, românticas, engraçadas, tristes, mas, antes de tudo, agradáveis. Feitas com espírito e bom gosto. E para sua difusão tem colaborado os festivais de músicas que anualmente são realizados na Itália, além do próprio cinema peninsular, que hoje é um dos mais sérios rivais do cinema norte-americano no Brasil. Tudo isso ajuda a Itália a difundir sua música no exterior e criar ídolos.

Porque a verdade é que em pouco tempo a Itália fabricou uma porção de ídolos que ameaçam a posição de muito figurão solidamente instalado na preferência dos fãs. Aí estão Rita PavonePeppino di CapriEmilio PericoliSergio EndrigoNico FidencoDomenico Modugno e tantos outros, uns com mais prestígio, outros aflorando decididamente para o sucesso consagrador. A grande vitóra da musica italiana está no fato de ter conquistado a preferência do grande público sem que para isso tenha sido feito um trabalho de monta, uma campanha de envergadura para o lançamento de produções, como sabem fazer os norte-americanos.

Enquanto as músicas italianas vão em escala ascendente, nota-se que o prestígio da música norte-americana junto à massa já não é o mesmo de antigamente. Cartazes como Paul Anka e Elvis Presley habituados a estarem na crista do sucesso já não alcançam o êxito de antes. E Ricky Nelson, cantor que despontou como fadado a ter bela carreira desapareceu como por encanto, enquanto não se ouve falar mais de Pat Boone, efetivamente um bom cantor. Por outro lado, no Brasil, o público de Frank Sinatra se reduz, com o passar do tempo, a um grupo de puristas. A hora, devemos reconhecer, é da música italiana. E o será por muito tempo enquanto os outros gêneros musicais continuarem a perder terreno. Anselmo Domingos.
RR 10 Outubro 1964 - sendo descendente de portugueses, Anselmo era ligado à comunidade no Rio.
RR 10 Abril 1965; Anselmo mostra o ataque da Ditadura contra a TV Excelsior do Rio de Janeiro. O ataque continuaria até o desaparecimento daquela que foi a emissora que revolucionou a TV brasileira.
RR 5 Setembro 1965; Anselmo esculhamba com a tournee dos American Beetles, imitadores dos ingleses de Liverpool. 

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