Friday, November 16, 2012

DOLORES DURAN

Dolores Duran was a shooting star in the Brazilian show business skies. She was born Adileia Silva da Rocha on 7 June 1930 and always wanted to be a singer. She won a lot of radio gong shows and started recording before she was 20 years old. She sang at night clubs and made it to the top of the charts in 1954 with 'Canção da volta' an Ismael Netto-Antônio Maria masterpiece. 

Dolores Duran was under contract with Radio Nacional and mixed up with the best society in Rio de Janeiro. She soon started writing her own material by herself or in partnership with the likes of Antonio Carlos Jobim, Ribamar and others. Dolores knew she had a heart problem. She actually had had two minor heart attacks before she had the big one while sleeping on 24 October 1959.

A few days before she died, Dolores recorded a song she had written recently, 'A noite do meu bem', a plaintive ballad with sad lyrics. Copacabana Records released it as a single and it went straight to #1. It felt like it was a message Dolores had left to all her fans.

Neusa Maria, Bidú Reis & a very young Dolores Duran at Radio Nacional. 
Lourdinha Bittencourt, Nelson Gonçalves, Dolores Duran, Mary Gonçalves, Emilinha Borba, Herivelto Martins & Chocolate (real name Dorival Silva) at Radio Nacional do Rio de Janeiro.
livro 'Dolores Duran - A noite e as canções de uma mulher fascinante' de Rodrigo Faour, lançado em Novembro de 2012 no Rio de Janeiro e São Paulo. 
iRios 'O Globo' about Rodrigo Faour book and the possibility of Angela Almeida finally releasing her own book about DD. 
Rodrigo Faour num mundo 'duraniano'... Dolores foi capa de Radiolândia 4 vêzes... e uma da Revista do Radio.
Rodrigo Faour no lançamento do livro sobre Dolores, na Livraria Cultura de São Paulo - 12 Novembro 2012.
Denise Duran, irmã de Dolores, no lançamento do livro sobre a vida da mana famosa...

tia Zilda (postiça) e Léia (Adiléia Rocha, futura Dolores Duran) em Caxias-DF.

Nestor de Hollanda escreve sobre Dolores - 1962

Diário Carioca, 23 Janeiro 1962

Os Padrinhos de Dolores

Dificilmente, alguém descobre um artista de valor. Quem tem valor, acaba mesmo aparecendo por uma série de circunstâncias favoráveis que surgem. O produtor de programas convida, o empresário de boate se interessa, o autor de shows faz proposta, a fábrica de discos vai atrás. Depois, cada um quer ser o descobridor, o lançador, o autor do talento alheio. Quando o artista morre, então, surgem aos montes, seus inventores, seus amigos, sues protetores e, não raro, parceiros que tem músicas inéditas...

Dolores Duran por exemplo, tem sido uma das maiores vítimas desses casos. Todo mundo a descobriu. Surgem, agora, seus padrinhos. Vão à televisão e fazem declarações até ridículas sobre a cantora. Dolores foi minha amiga, quase irmã. Brigávamos e voltávamos às boas, no mínimo duas vezes por mês. Ninguém, todavia, a descobriu. Poucos a ajudaram. Em entrevista pouco antes de morrer, contou como se iniciou, entrando em detalhes de suas lutas por uma vaga no setor artístico e não citou nomes de padrinhos, principalmente dos que estão aparecendo agora, a ponto de a terra tremer.

Primeiro, ela quis ser cantora lírica. Estudou com a professora Mercedes Malaguti Lemos. Também foi aluna da mesma senhora a cantora Maria Helena Raposo. Depois, desistiu da arte lírica. Disse por que:

- No dia em que tivesse que interpretar a Desdêmona, de que cor teria de ser o Otelo?

Trabalhou como girl da boite Acapulco de Cesar Ladeira e Renata Fronzi. Foi a alguns programas de calouros e ganhou prêmios.

Então, Renato Murce instituiu concurso em seu "Papel Carbono", a fim de escolher "uma cantora mexicana" para o elenco da Rádio Nacional. Dolores se inscreveu utilizando o pseudônimo Helena Martins. Os programas arquivados contam bem isso. Ela cantou pela primeira vez no microfone da PRE-8, no Papel Carbono, de  7 de julho de 1946, imitando Libertad Lamarque, e obteve o primeiro lugar.

Voltou a 8 de dezembro de 1946 e se classificou a 1º de seu grupo.

Na 5º semifinal, a 26 de janeiro de 1947, novamente conquistou a primeira colocação, interpretando o bolero "Perfídia".

Na segunda final, a 23 de fevereiro de 1947, cantou "Corazón" e "El Manicero", e, então, perdeu para Jerusa de Oliveira. Chorou muito, decepcionada.

Faziam parte do juri, se não me falha a memória, além de Renato Murce, Victor Costa, Paulo Tapajós e alguns maestros e jornalistas, cujos nomes não me ocorrem no momento. Três foram as vencedoras do concurso, contratadas pela Nacional: Jerusa de Oliveira, Rosita Gonzalez e Juanita Castillo. A primeira, ficou um ano na PRE-8, mas casou e saiu. As duas últimas aí estão, atuando com êxito. Juanita ainda na emissora da Praça Mauá e Rosita, na Mayrink Veiga.

Depois do concurso, Dolores atuou na PRA-9. Atuou também na Tupi e na Tamoio. Foi quando amigo seu, velho admirador, político influente, lhe obteve o lugar de lady-crooner do Vogue, onde ela se tornou figura popular na vida noturna. E essa mesma pessoa falou a Victor Costa, levou-o ao Vogue para ouvi-la (eu fui em sua companhia, lembro-me, mas sem dar palpites) e o então diretor de "broadcasting" da Nacional mandou que, primeiro, Dolores atuasse a cachê em alguns programas, inclusive num de auditório, aos sábados, e logo depois, a contratou.

Quem descobriu Dolores: Ela mesma. Ganhou o pseudônimo, por lembrança de velho amigo da família, pois o bolero, na época, estava em grande evidência. Ela mesma me contou, mas não me recordo dos detalhes, nem do nome da pessoa. Continuam, porém, surgindo os padrinhos. Mas ninguém inventa ninguém. Quando muito, o mérito foi de Renato Murce, em cujo programa ela cantou pela primeira vez, na PRE-8. E, por fim, do político que a colocou no Vogue, a casa que revelou Dolores. Rádio e TV - Nestor de Holanda - 1962.

Maria Helena Raposo & Dolores Duran estudaram canto com a professora Mercedes Malaguti Lemos.
Dolores at 17.
Dolores artificially tinted...
at TV Rio, Channel 13. 
Contract with Sociedade Clube Curitibano signed by Dolores Duran on 5 June 1957.
Dolores' own long-hand... Gershwin's 'The man I love'... 
Dolores used to draw a little too... a fashion stylist on the make...
Dolores Duran's chords intructions...
Miss Duran's address book. 
revista 'Carioca'.
revista 'Carioca' 1950.

'Revista do Radio' 9 January 1951.

'Correio da Manhã' 3rd March 1955.
2nd August 1959 - 'Correio da Manhã's columnist Claribalte Passos reviews 'Esse Norte é minha sorte' (CLP-11,092) Dolores Duran's last album, released a few weeks before she died - 24 October 1959.

Radiolandia, 4 April 1955
Radiolandia, 25 May 1957: Dolores conquers São Paulo...
a Copacabana E.P. made in Portugal.
Peggy Hayama sings 'A note do men bem'... Japanese style.

Wednesday, November 7, 2012

HAROLDO JOSÉ, o Guarda Civil / ORLANDO DIAS

Haroldo de Souza was Haroldo José's real name was born in 23 February 1922, in Terra Roxa-SP, a small town near Jaboticabal and Ribeirão Preto in the northern part of the state. As a young man in the 1940s, he migrated to Santo André-SP and joined Guarda Civil which was a uniformed police corporation attached to the Civil Police which started in 1926, more or less patterned on the British police. 

Haroldo José lived in a public housing settlement called Santa Terezinha in Santo André and became a prominent member of Guarda Civil's military band. Haroldo was a good singer and used to write tunes in partnership with his brother Oswaldo de Souza. 

In early 1960, Haroldo José signed a contract with new label Chantecler which released 'Tango triste' (Sad tango).  Even though tangos were out-of-fashion it went all the way to #1 making Haroldo famous overnight. An album named 'Tango triste' was soon released but no follow-up to his smash-hit.

It took four years for another Haroldo José's tune to reach #1 at the charts. This time it was 'Juca do Bráz', a samba by the Souza brothers, recorded by Leila Silva for Continental Records in 1964

Guarda Civil was eventually disbanded by the generals who wrested power away from President João Goulart in April 1964, and a brutal Military Police was instituted in its place.

Haroldo José, eventually, went into obscurity but lived a fullfilling life until he died an 88 year-old in 27 January 2011.

Haroldo José no tempo de 'Tango triste'

Haroldo José, que a todos encantou com 'Tango triste' em 1960, nasceu a 23 Fevereiro 1922 em Terra Roxa-SP, na região de Jaboticabal e Ribeirão Preto, sendo registrado como Haroldo de Souza.

Haroldo chegou à Santo André-SP na década de 1940, indo morar nas casas populares do bairro Santa Terezinha, de onde nunca saiu. Ingressou na Guarda Civil e, sendo um excelente cantor e musico, foi aproveitado na banda da corporação.

Haroldo José casou-se com Irene Bittencourt e tiveram 2 filhos: Luiz Carlos e Wilson Roberto.

Em 1960, gravou pela Chantecler 'Tango triste', composição sua em parceria com seu irmão Oswaldo de Souza. Apesar do gênero tango estar meio esquecido então, o disco se tornou um sucesso imediato ficando em 1o. lugar absoluto por várias semanas. Mesmo com Haroldo José ainda na parada, a gravação de 'Tango triste' por Leila Silva também fez um relativo sucesso.

Em 1964, Haroldo José aparece de novo nas paradas como compositor de 'Juca do Bráz',  em parceria com Romeu Tonelo um delicioso samba-chôro interpretado por Leila Silva. Ainda fez relativo sucesso com 'Vestido molhado'.

Haroldo José morava em Santo André-SP, sempre muito querido pela comunidade. Veio a falecer com 88 anos, em 27 Janeiro 2011, e foi sepultado no Cemitério Sagrado Coração de Jesus, em Camilópolis.

Haroldo José, o guarda-cantor; capa do LP 'Tango triste' da Chantecler. Note que, infelizmente, um engraçadinho desenhou um par de óculos para o intrépido guarda-civil. 

1.  Tango triste Osvaldo de Souza e Haroldo José
2.  Palco da vida Osvaldo de Souza e Haroldo José
3.  Boêmio solitário - Luiz de Castro e Haroldo José
4.  Amando separadosWaldick Soriano e Altamiro de Morais
5.  P'ra que negar? - D. Silva e Teixeira Filho
6.  Triste caminho - Waldick Soriano e Antenor Alves

1.  Coração cheio de amor - Haroldo José e Diogo Mulero "Palmeira"
2.  Meu perdão - Haroldo José, Osvaldo de Souza e Astor de Souza
3.  Nunca existiu - Waldick Soriano e Alfredo Corleto
4.  Cruz do meu destino - Frederico Rossi
5.  Taça da ilusão - Nízio e Teddy Vieira
6.  O amor mais puro - Diogo Mulero "Palmeira"

compacto-duplo 'Tango triste' em 45 rpm

Discografia simples

05-1959 - Chantecler -  78-0122
A - Fim de boêmio - Osvaldo de Souza, H. Júnior e Edgard Martins
B - Santa do meu altar - J. M. Alves e H. Júnior

02-1960 - Chantecler -  78-0236
A - Tu serás - Haroldo José, Osvaldo de Souza e J. Santos
B - Tango triste - Osvaldo de Souza e Haroldo José

09-1960 - Chantecler -  78-0324
A - Palco da vida - Osvaldo de Souza e Haroldo José
B - Meu perdão - Haroldo José, Osvaldo de Souza e Astor de Souza

12-1960 - Chantecler -  78-0373
A - Coração cheio de amor - Haroldo José e Diogo Mulero "Palmeira"
B - Cruz de meu destino - Frederico Rossi

05-1961 - Chantecler -  78-0436
A - Taça da Ilusão - Nízio e Teddy Vieira
B - P'ra que negar? - D. Silva e Teixeira Filho

08/1961 - Chantecler -  78-0486
A - Amor de Minha Vida - Haroldo José e Bernardete Albardeira
B - Maldito Amor - Carlos Armando e Haroldo José

10-1961 - Chantecler - 78-0516
A - Beija-flor - Haroldo José e Arlete Benevides
B - Sempre você - Haroldo José, Wilson Lopes e Carlos Jair

1962 - Continental -  78-001
A - Quem será - Osmar Zan, Lelé Vieira e Lelé Vieira - com Haroldo José e Osvaldo de Souza
B - Minhas queixas - Luiz de Castro

1962 - Continental - 78-042
A - Beijo na mão - Osvaldo de Souza e Haroldo José
B - Levaste meu coração - Fernando Dias e Sebastião Víctor

1962 - Continental -  78-090
A - O gosto que o beijo tem - Haroldo José
B - Maldita hora - Teddy Vieira e Waldick Soriano

1963 - Continental -  78-207
A - Pergunte a Deus - Haroldo José, Lúcio Cardim e Lúcio Cardim - com Haroldo José e Muybo Cury
B - Cartas antigas - Jocemar Ribeiro - com Haroldo José e Osvaldo Aude

1963 - Continental - 78-260
A - Pobre do pobre - E. M. Esperón e P. Ordinales - Versão: Rogério Gauss
B - Por isso te quero - Maria Victória - Versão: José F. Dias

1964 (?) - Continental - 33-438 - compacto simples

A - Da metade p'ra lá é que é
B - Caminho da desilusão
compacto-simples de Haroldo José para a Continental.
Luiz Amorim (1934-2013) wearing Guarda Civil's official dark-blue uniform and khaki colour uniform for summer-time duty. 

ORLANDO DIAS  &  WALDIR MACHADO 

Orlando Dias and songwriter Waldyr Machado. 
Waldyr Machado and Orlando Dias at Programa Helio Ricardo on Radio Mauá - 26 December 1959.
Orlando Dias with combo Epoca de Ouro. 

Um milhão de vezes
prometi a mim mesmo minha vida mudar
um milhão de vezes
não encontro a mim mesmo,
estou no mesmo lugar

Olhem o que dá em ficar sozinho
sem flores colher, só colhendo espinhos

Meu erro já sei foi amar demais
por amor eu parei
fui ficando p'ra trás,
fui ficando p'ra trás.

Orlando Dias first recorded for Mocambo.
Orlando Dias in Revista do Radio # 630 - 14 October 1961