Wednesday, February 20, 2013

LEILA SILVA

Leila Silva (1960) & José Orlando (1959), were the best-selling acts at Discos Chantecler; Leila shows off her Roquete Pinto.
Leila & some happy-looking fellows in the same night in 1961, at Teatro Record. 

Leila Silva foi levada à gravadora California pelo compositor campineiro Denis Brean, o mesmo que tinha lhe sugerido que mudasse seu nome para Leila Silva. Na California ela gravou um 78 rpm:

TC-1079  Resignação (Plinio Metropolo) / Mentira (Denis Brean-Osvaldo Guilherme) Novembro 1959.
5 January 1960 - nota da jornalista yankee Mary Wynne em sua coluna 'Mary go-round' no Estadão: num animado cocktail oferecido pelos Discos California, na African Boite, no dia 2 Janeiro 1960, foi lançado o 1o. disco da jovem cantora Leila Silva

Leila Silva  na  CHANTECLER 

Logo em seguida, Leila foi 'descoberta' por Diogo Mulero, o Palmeira da famosa dupla Palmeira & Biá, diretor-artístico da Chantecler, que estava em alta. Leila teve que esperar passar o Carnaval de 1960 para gravar uma versão do próprio Palmeira de um tango alemão sobre o Lago Negro, que em tradução equivocada se tornou 'Mar Negro' (Am schwarzen Meer). O violinista romeno Georges Boulanger a transformara em sucesso mundial de 1938, em gravação da Parlophone. 

239 - Mar Negro (Am schwarzen Meer) Leo Rodi; v.: Palmeira / Irmã da saudade (Portinho-João Pacifico) - Mar.'60

278 - Tango triste (Osvaldo de Souza-Haroldo José) / Sarjeta (J.Luna-Clodoaldo Brito) - Junho 1960

319 - Perdão para dois (Palmeira-Alfredo Corletto) / Ansiedade (J.E.Sarabia Rodrigues; v.: Palmeira) - Set. '60

362 - Não sabemos (Rubens Caruso) / O amor mais puro (Palmeira)  -  Novembro 1960

380 - Fica mais um pouco (Gentil Castro) - Leila Silva / Não é de nada (Palmeira) canta: José Henrique - Janeiro 1961

429 - Justiça de Deus (Normindo 'Nonô' Alves-Ruth Amaral) / Nossa união (Vicente Clair) - Abril '61

462 - Promessa (Promises) tango (W.White; v.: Teixeira Filho) / Libelo (fox de Cid Magalhães-Alfredo Ribeiro) - Junho '61

508 - Adeus amor (rock-balada de Haroldo José-Eufrasio Borelli) / Na solidão do meu quarto (bolero de Rubens Machado) - Setembro '61

517 - Quando a saudade apertar (samba de Ataide Julio-Osvaldo Aude) / Eu e você (samba de Joaquim Gustavo) - Outubro '61

557 - Vai dar no mesmo (bolero de Edmundo Arias-Teixeira Filho) / Mais uma vez, adeus (balada de G.Aurici-D.Langdon; v.: Teixeira Filho) - Janeiro 1962

612 - Meu amor pertence a outra (Ludwig van Beethoven; adaptação: Teixeira Filho) / O que é que eu faço? (Ribamar-Dolores Duran) - Junho '62

659 - Canção do fim (Make haste my love) (U.Minucci-R.Jaden; v.: Paulo Rogério) / Correio das estrêlas (Denis Brean-Osvaldo Guilherme) - Janeiro 1963

692 - Coração a coração (Archimedes Messina-B.Barrela) / Não diga a ninguém (José Messias) - Mar.'63

725 - Um mal em cada hora (samba de J.Santos) / Recorda (balada de Donida-Mogal; v.: Fred Jorge) - agosto 1963.

Leila Silva na CONTINENTAL 

314 - Juca do Bráz (Haroldo José-Romeu Tonelo) / Joguei fora o bilhete (R.Tonelo-H.José) - 1964

336 - Nó de porco (Haroldo José-Romeu Tonelo) / Favela do Vergueiro (K.Ximbinho-Laércio Flores)

Leila assina autógrafos aos fãs na loja do instrumentista Paschoal Mellilo em Santos-SP.

2o. LP de Leila Silva - capa linda, repertório nem tanto.

A carreira de Leila Silva na Chantecler foi muito mal aproveitada. Parece que tudo acontecia 'por acaso' na gravadora do galinho. Diogo Mulero, o popular Palmeira (de Palmeira & Biá), era o diretor artístico, correspondente ao A&R (Artist & Repertoire) das gravadoras yankees. O que Palmeira falava era ordem, sim senhor.

No início, em 1960, Leila teve muita sorte, pois gravou 'Mar Negro' (Am Schwarze Meer) um tango alemão vertido pelo próprio Palmeira, que chegou a tocar bem nas radios de São Paulo, logo seguido por 'Tango triste', dessa vez brasileiro, que tinha sido sucesso no ano anterior com Haroldo José, seu autor. 

O terceiro single de Leila foi 'Perdão para dois', uma balada-guarânia de Palmeira, que também foi gravada na RCA Victor por Cauby Peixoto. Enquanto Leila dominava em São Paulo, Cauby reinava no Rio com a mesma guarânia chorosa. 

Palmeira se empolgou com Leila e achou que já era hora de lançar um LP. O micro-sulco já estava quase pronto, faltando apenas uma faixa para ser gravada. Palmeira perguntou se Leila conheceria alguma musica inédita para eles terminarem o trabalho. Leila disse que gostava de cantar um samba de um certo Rubens Caruso que era técnico-de-som de uma rádio de Santos. Palmeira chamou Poly de lado e pediu a ele que acompanhasse Leila nesse samba. Não precisou ouvir duas vêzes. Palmeira produziu a gravação de 'Não sabemos', um samba com acompanhamento de violão de 7 cordas, flautas e pandeiro, como se fosse um chôro, daí o rítmo ter sido classificado como 'samba-chôro'. 'Não sabemos' foi gravada em novembro de 1960. No Natal já estava em primeiro lugar absoluto em São Paulo, tendo conquistado o Brasil inteiro logo em seguida,. 

O mais irônico de tudo é que, justamente agora que Leila era a Rainha da Chantecler, a coisa degringolou de uma maneira inexplicável. Palmeira não conseguiu achar um 'follow-up' para 'Não sabemos', e assim se desperdiçou um capital cultural importante. Palmeira tentou sambas, mas eles não 'vingaram'. Daí ele achou que estava na hora de gravar outro LP, com um rock-balada na faixa principal. Apesar da capa ser magnífica, o LP é uma decepção. Nada de real valor se salva dalí. 

1961 passou e Leila não emplacou mais nada... Ela se mantinha ocupada cantando seus 'hits' de 1960 em apresentações na TV Record e em excursões pelo interior do país. Na verdade, existe uma explicação, sim. A Chantecler, por ser uma gravadora ainda de médio porte, dependia muito da vontade dos disc jockeys de tocarem seus discos. Para isso a Chatecler oferecia 'parcerias' para DJs de várias rádios de São Paulo. Teixeira Filho era um deles, que trabalhava na Radio Nacional paulista. Paulo Rogério era outro DJ da Radio Nacional que 'emplacava' sucessos com cantores da Chantecler. Daí o nivel de qualidade não ser dos melhores.

Na metade de 1962, eis que Teixeira Filho, da Radio Nacional paulista resolve fazer parceria com Ludwig van Beethoven e Leila grava 'Meu amor pertence a outra', uma linda balada, que tocou bastante em São Paulo, tanto que Leila é premiada com um Chico Viola no final do ano, como um dos discos mais vendidos do ano. 'O que é que eu faço?', um samba póstumo de Dolores Duran, já que o pianista Ribamar musicou poema de Dolores, depois que ela morreu, consegue ser bem executado no Rio de Janeiro. Leila, que passou 1961 sem hit algum, consegue um 'double-sided hit' para compensar o 'deserto' passado.

No início de 1963, Leila aparece nas paradas cariocas novamente com 'Correio das estrêlas', samba de Denis Brean, seu antigo benfeitor e seu parceiro Osvaldo Guilherme. Depois do Carnaval de 1963, Leila aparece bem nas paradas com 'Não diga a ninguém' (Eu já fiz a sua trouxa, só falta o que foi p'ra lavadeira...) um samba de José Messias, um DJ carioca.

troféu Roquette Pinto 
Leila Silva, em 1961, orgulhosa de seus troféus Roquette Pinto, Chico Viola, Astros-do-Disco etc. 

Em 1964, Leila Silva sai da Chantecler e muda-se para a Continental, onde Palmeira já era o manda-chuva. A mudança dá sorte, pois seu primeiro 78 rpm para a etiqueta dos sininhos vai direto para o 1o. lugar nas paradas de sucesso; 'Juca do Bráz', (fizeram um mal-feito bem feito p'ro Juca do Bráz perder o seu amor, o Juca caiu na arapuca, desapareceu chorando de dor...' um samba-chôro de Haroldo José (o cantor-guarda-civil que estourara em 1959, com 'Tango triste') e Romeu Tonelo, tendo um acompanhamento que lembrava muito 'Não sabemos'. 'Juca do Bráz' torna-se o segundo maior sucesso de Leila e toca em todo o Brasil. Melodia bonita, letra fácil, caiu no gosto popular de imediato e tornou-se um clássico da MPB. Quem não se lembra do Juca do Bráz ou do Juca da Moóca? Se não for o mesmo, tem Juca demais! 

O sucesso de 'Juca do Bráz' em pleno 1964, provava que havia mercado para o choro ou samba-choro no Brasil, mas ninguém continuou nessa linha e tudo ficou como dantes no quartel de Abrantes... e Leila, mais uma vez, não conseguiu emplacar um 'follow-up' a um grande sucesso. Na verdade, poderíamos dizer que esse foi o 'canto de cisne' de Leila Silva em relação a paradas-de-sucesso. Leila continuou a gravar; mudou-se para a RCA Victor, mas nunca lá gravou algo que merecesse destaque. A RCA Victor era conhecida como o 'túmulo do artista'. Todos que alí se mudavam, eram agraciados com muito dinheiro de 'luvas', mas, na maioria das vêzes, não conseguiam sucesso algum, e com Leila não foi diferente.


Leila Silva & Rubens Caruso (on the right) who wrote 'Não sabemos'.
Leila sings Rio DJ José Messias sambas.
Extended-play belonging to Radio Clube de Santos. 
Continental extended-play sleeve.
Revista Melodias.
Leila nas páginas da revista Melodias.
As cifras de 'Juca do Braz', aqui chamada de samba-médio, de Haroldo José e Romeu Tonelo, publicadas na revista Melodias de Julho 1964 - dentro do Método de Violão do magnífico Poly (Ângelo Apolônio).



2013

Esterzinha de Souza posa ao lado de Leila Silva durante o lançamento do livro 'A dinastia do Radio' de Thais Matarazzo e Valdir Comegno em 15 Março 2013.
Leila Silva divide um dueto com Silvana em 'Carinhoso' em show na Ordem dos Músicos de São Paulo.
Leila Silva & Silvana cantam 'Carinhoso' de Pixinguinha e letra de João de Barro 15 MAR 2013. 
Raimundo José, Silvana, Leila Silva & Edith Veiga em 15 Março 2013.
Leila Silva with blogger Carlus Maximus at Ordem dos Músicos in S.Paulo on 3 October 2012.




'Quando canta Leila Silva' 1962.

2 comments:

  1. grande edith, leila silva,silvana...meus pais com 13 anos em 1961 amavam muito voces

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    1. Obrigado pelo comentário, Abdalla Marmud Habud. Minha intenção é justamente divulgar essa época maravilhosa (1961-1962-1963) que, parece, foi apagada da memória coletiva do País.

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